Curitiba é pioneira. A primeira universidade do Brasil está na cidade, o primeiro calçadão do país exclusivo para o trânsito de pedestres foi implantado aqui, assim como a primeira delegacia especializada em casos de crianças desaparecidas. A capital paranaense foi a primeira cidade brasileira a ter um caixa eletrônico de rua com funcionamento 24 horas, uma locadora de vídeo e a primeira a ver uma lombada eletrônica e uma rua de comércio 24 horas. Foi aqui também que pela primeira vez um cartório brasileiro efetuou o registro de união entre um casal homossexual e, pela primeira vez na região Sul, uma mulher chegou ao posto de tenente-coronel da Polícia Militar.
  Mais recentemente, a cidade foi a primeira do Brasil a criar uma rede pública de acesso à internet espalhada pelos bairros. E o pioneirismo não deve parar por aí, Curitiba vai ganhar o Mercado Permanente de Produtos Orgânicos que está sendo construído pela prefeitura em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e será o primeiro do país a comercializar somente produtos do gênero.
  Para a delegada titular do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Daniele de Oliveira Serigheli, o projeto iniciado em Curitiba, e que atende todo o Paraná, acabou servindo de exemplo para outros estados porque com a criação da delegacia especializada muitos casos que não estavam sendo resolvidos tiveram um desfecho. ‘‘Tudo o que funciona serve como modelo’’, afirma a delegada.
  O mesmo deve acontecer com o Mercado Permanente de Produtos Orgânicos. De acordo com o diretor de abastecimento comercial da Secretaria Municipal de Abastecimento, Luiz Gusi, quando o projeto do Mercado é apresentado a produtores de outros estados a reação é sempre a mesma: ‘‘Só podia ser em Curitiba’’. Com o novo mercado, a cidade também deve iniciar um processo de referência no desenvolvimento de regras de comercialização no setor. ‘‘A lei ainda não foi regulamentada e nós vamos sair na frente’’, avalia. ‘‘Curitiba já é referência nessas coisas, essa imagem de pioneira é muito forte’’, completa Gusi.
  Já para o professor de filosofia política da Universidade Federal de Paraná (UFPR), Emmanuel Appel, trata-se de uma simples coincidência. ‘‘Não acredito que se possa atribuir a uma cidade uma vocação especial ao pioneirismo. São acidentes históricos fortuitos que podem passar a impressão de que ela tem essa característica’’, avalia. De acordo com o professor, o que há são pessoas favorecidas por um conjunto de fatores sociais e que entenderam o momento em que viviam. ‘‘Devemos apostar mesmo é na virtude dos homens que trabalharam em situações históricas determinadas. Esse conjunto vai ser explicado por personagens que souberam fazer a leitura do seu momento histórico. As melhores condições precisam de consciências atentas para interpretar e agir’’, completa.

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