Curitiba através da arte
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
A primeira imagem conhecida de Curitiba data de 1827. É uma aquarela assinada pelo francês Jean-Baptiste Debret, um dos integrantes da Missão Artística Francesa que veio ao Brasil a convite da corte portuguesa. Desde então a capital paranaense foi retratada de formas diversas por meio da arte. São leituras que nos mostram desde a vila em desenvolvimento do século XIX, passando pela Curitiba perdida de Danton Trevisan, até a capital dos ligeirinhos nos traços de Poty.
Primeiro registro iconográfico da capital paranaense, a obra Vista de Curitiba, de 1827, mostra ao fundo a vila com a matriz, demolida em 1876, e a Igreja da Ordem. Em primeiro plano, está o que seria a obra da Igreja de São Francisco de Paula, que nunca chegou a ser concluída e estaria hoje onde restam as Ruínas de São Francisco.
Embora a obra esteja assinada por Debret, o artista não teria vindo até Curitiba, de acordo com o arquiteto José La Pastina Filho, professor do departamento de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e superintendente regional do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A obra seria uma composição conjunta de Debret com um de seus alunos. A Missão Artística Francesa chegou ao Brasil em março de 1816 e foi a responsável por oficializar o ensino das artes no país. Dez anos depois da chegada da missão era criada a Academia Imperial das Belas Artes, transformada depois na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Na época, os alunos de Debret percorreram cidades no Sul do Brasil registrando suas paisagens. Depois esses registros recebiam uma espécie de acabamento do professor. Ele completava o cenário com o primeiro plano, explica La Pastina. Segundo o pesquisador, como Debret era um artista, via a obra como um conjunto estético e acrescentava elementos à cena para dar profundidade, equilíbrio e enriquecer a paisagem com detalhes. No caso de Vista de Curitiba, o traço de Debret está presente na parte do quadro em que aparecem, o operário, as pedras e as ferramentas da obra da Igreja de São Francisco de Paula.
As intervenções, no entanto, não prejudicam o valor documental da obra. É um documento gráfico e histórico da época, muito mais rico que uma descrição. Uma coisa é você descrever a cidade, outra coisa é poder ver, ter uma imagem. Esses registros muitas vezes até destroem ou confirmam determinados mitos, justifica La Pastina. É quase uma coisa nostálgica, como folhear um álbum de fotografias antigas da família, completa o professor.


