Curiosidades do mundo dos milionários
Tormenta perfeita
Em relação à sensação de que há mais milionários, hoje, do que jamais houve, Robert Frank comenta: ''O que aconteceu foi a união entre novas tecnologias, globalização e mercados financeiros. É o que chamamos de ''a tormenta perfeita''. Três tempestades se encontram e criam uma tormenta exuberante. O choque dessas três forças criou uma economia na qual quem ganha, ganha muito. Nunca foi possível enriquecer tanto e tão rápido na História. Não bastasse isto, tanto o governo Clinton quanto o de Bush diminuíram os impostos para os mais ricos, nos EUA. Na última década, o número de milionários mais do que dobrou. São 3 milhões de milionários e 400 bilionários''.
A evolução da arte
''O primeiro bilionário foi John D. Rockefeller'', conta Frank. ''Ele precisou escavar poços de petróleo, erguer refinarias, depois construir ferrovias para transportar o combustível. São progressos que levam tempo para acontecer. Hoje, se você tem 20 anos e uma boa idéia, pode conseguir investimento e lançar uma empresa com quase nenhum dinheiro. Não precisará erguer um edifício, nem comprar caminhões. Ainda assim, pela internet, terá acesso ao mercado global. No fim, terá duas opções. Poderá vender seu negócio bem-sucedido para outra empresa ou para o público, se abrir o capital na bolsa de valores. É um processo que toma meses, não décadas. Rockefeller já era um homem de meia idade quando fez seu primeiro milhão de dólares. Um dos homens que entrevistei para o livro, Jerry Polis, abriu 12 empresas diferentes antes de completar 30 anos. Cada um dos quatro filhos de Sam Walton, fundador da Wal-Mart, tem uma fortuna superior à de Rockefeller no momento em que este morreu, mesmo corrigidos os valores pela inflação''.
Com quanto dinheiro se faz um super-rico
''US$ 10 milhões'', garante o economista. Para calcular esse número, Frank usa dois métodos. ''Um: perguntar aos bancos privados que gerenciam o dinheiro de ricos quanto tem seu cliente mais pobre. Outro: descobrir quanto dinheiro é necessário para se viver de renda, com luxos, sem jamais gastar o principal. Das duas maneiras, chega-se aos US$ 10 milhões''.
Meu iate é muito maior do que o seu
Mas, afinal, o que é luxo? O que faz de um produto algo exclusivo? Para o economista, ''em vez de iates de 100 pés, passou-se a construir iates de 200. Mas, para impressionar, hoje, é preciso de um iate de pelo menos 300 pés! A outra forma de definir um produto como exclusivo é aumentar seu preço. Em vez de comprar um automóvel de US$ 100 mil, alguns compram carros de US$ 1 milhão. O mercado de arte é outro divisor. Recentemente, uma tela de Jackson Pollock foi vendida por US$ 140 milhões; um Mark Rothko, por US$ 73 milhões''.
Pobreza... Só de longe
Será que os tão ricos assim têm contato com a pobreza? Frank é categórico: ''Nenhum. Não têm a menor idéia de como é a vida de uma pessoa pobre. Hoje, se você é muito rico, provavelmente vive numa bolha. Seus filhos vão a escolas que apenas outros ricos frequentam, sua casa é cercada de outras mansões, suas férias são passadas em lugares muito, muito exclusivos, suas viagens são em aviões particulares. Ricos não interagem sequer com a classe média. Não têm idéia de como é o resto dos EUA, quanto mais o resto do mundo. Mesmo aqueles que nasceram pobres estão tão longe desse mundo que não conseguem compreender a situação de desespero de muitos.
Práticos e objetivos em teoria
Para Frank, os muito ricos acreditam ser práticos e objetivos. ''Larry Page e Sergei Brin, que fundaram o Google, compraram recentemente um Boeing 767. Argumentam que o avião custou apenas US$ 15 milhões e um jato Gulfstream, mais compacto, custaria três vezes isto. Para eles, foi uma decisão prática. Comprar um ''jumbo'' para fazer papel de jato particular não é demais? Ricos se acham práticos, mas não são''.
Tecnologia a serviço da imensidão
Frank descreve algumas diferenças (em relação às dos ''pobres mortais'') observadas nas casas dos muito ricos: ''Uma delas tinha 14 tevês de plasma e mais de 100 caixas de som, todas conectadas a uma central que gerencia do entretenimento à segurança. É comum, nessas residências, que as cortinas sejam automatizadas de forma que, conforme elas fechem, a luz seja acendida. Noutra casa, você põe um bótom na roupa ao entrar, de forma que sua localização seja rastreada por satélite. Assim, quando vai de um cômodo para o outro, as portas se abrem e se fecham. Ajuda também a não se perder. A casa é muito grande''.
O sonho de viver para sempre
Seria verdade que os muito ricos têm algumas ilusões sobre seu futuro? ''Sim'', afirma o economista, ''um dos primeiros aprendizados dos mordomos, hoje verdadeiros gerentes das mansões e da vida de seus patrões, é que nada assusta mais os milionários do que germes. Nisto, todos os ricos, de todos os tempos, são iguais. Há um século, John Rockefeller já tinha planos de viver até os 100 anos - e ninguém vivia tanto assim naquela época. Milionários querem viver para sempre, são pessoas egocêntricas. E trabalham tanto, e o tempo todo, que não querem parar, porque senão adoecem''.
A riqueza se espalhará?
''A economia está crescendo tanto para ricos quanto para pobres'', assegura Frank, ''mas haverá mais milionários. O número deles aumentará em uns 10% por ano. Fora dos EUA, a maior concentração de riqueza está no Japão, no Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e Oriente Médio. Mas há também milionários na China, em Cingapura, no Quênia, na Argentina, México e Brasil. Nos próximos anos'', prevê, ''os super-ricos serão uma comunidade internacional''.
(P.D./AE)





