CURIOSIDADE - Livro revela segredos da cozinha do Vaticano
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de maio de 2007
Das Agências 
Os mosteiros e conventos católicos de todo o mundo sempre foram conhecidos por suas receitas deliciosas. De lá saíram pratos que ainda fazem parte de nossa vida cotidiana, como licores, doces e geléias. Se os quitutes de monges e freiras são tão bons assim, imagine aqueles que são feitos pelos cozinheiros da sede da Igreja Católica: o Vaticano.
São essas curiosidades que Eva Celada, jornalista e escritora espanhola, revela em seu mais recente livro ''Segredos da Cozinha do Vaticano'', lançamento no Brasil da Editora Planeta. De acordo com a autora, dos fogões vaticanos saíram tentações como os ovos beneditinos (um capricho de Bento XI), a lagosta com trufa branca (habitual nas coroações do Renascimento), a musse de faisão ao molho chaudfroid (prato preferido de Pio VI) e o maçapão de água de rosas (uma iguaria da Idade Média), entre muitas outras delícias gastronômicas.
Do primeiro acontecimento culinário da cristandade, o menu da Santa Ceia, ao mais recente banquete, o da coroação de Bento XVI, o livro apresenta um cardápio com mais de uma centena de pratos criados na cozinha mais exclusiva do mundo. Além do que aparece nos cardápios dos Papas, a autora relaciona os ingredientes e o modo de preparo dos pratos, para que o leitor também tenha a possibilidade de apreciar as iguarias até então só servidas aos Pontífices.
Para chegar a essa ''bíblia'' gastronômica foram dois anos de pesquisa, nem sempre muito fácil. Vasta bibliografia e muita conversa com cozinheiros e chefes de refeitórios do Vaticano ajudaram bastante. Também foi preciso ir a muitos restaurantes onde comem os cardeais e falar com fruteiros, sorveteiros, confeiteiros etc., com os quais Bento XVI fazia suas compras pessoalmente quando era cardeal. Sem esquecer de uma visita ao colégio cardinalício polonês, para conhecer as cozinheiras de João Paulo II.
Usando esse método, Eva descobriu que Bento XVI gosta da cozinha mais sofisticada e menos abundante, enquanto João Paulo II foi um papa menos sofisticado, gastronomicamente falando, preferindo a cozinha polonesa a qualquer outra. Conheceu a alta gastronomia em seu papado, enquanto Bento XVI já estava muito acostumado a ela antes de ser papa.
Praticamente abstêmio, Bento XVI não toma álcool, acompanha as refeições com suco de laranja. Já João Paulo II adorava tomar vinho tinto. Enquanto Bento XVI gosta muito de doce, lancha todos os dias e sofre para jantar, João Paulo II preferia os sabores azedos, não lanchava, e às vezes tomava um chá. O jantar foi, praticamente até o início de sua enfermidade, a refeição mais importante do dia.
Bento XVI, que foi durante quase 30 anos uma espécie de ministro, com nível de cardeal, e teve a oportunidade de comer nos lugares mais incríveis do mundo, é um papa com gostos gastronômicos interessantes, um iniciado. É o primeiro papa da história que cozinhava antes de ser papa, já que vivia sozinho e não tinha empregados. É um homem que pode comer uma deliciosa massa com marisco, mas que também janta de forma muito simples uma sopa de sêmola (prato típico do pós-guerra alemão).
Ele gosta de torta de maçã, toma sempre café com leite, gosta da comida bávara do sul da Alemanha, mas a come de maneira moderada: o assado de carne de porco com bolas de batatas e chucrute ou as bolas de pão branco com molho de champignon. Gosta muito de verduras, prefere peixe a carne, adora todos os tipos de pudins e tem uma queda por sorvetes, principalmente o de tangerina.
Saúde - O papa Bento XVI tem um médico particular que se ocupa de sua dieta, assim como dos complementos vitamínicos de que eventualmente precise. João Paulo II seguia, quando estava muito doente, uma dieta à base de frutas (especialmente mamão), leite e infusões, em especial uma de chá verde com menta, que funcionava como uma bebida isotônica.
Sem dúvida, não se pode esconder que as cozinhas vaticanas, as mais sublimes e singulares durante séculos, tiveram os melhores cozinheiros e, portanto, em suas cozinhas foram criados diferentes preparos que se tornaram universais. O que ocorre é que, como essas receitas não foram registradas em tratados gastronômicos por uma questão de discrição imposta, não se tomou conhecimento de suas origens.
Celada diz que o trabalho reúne mais de cem receitas, mas que a idéia é mostrar, por intermédio dos hábitos alimentares dos papas, um pouco da própria história da Igreja Católica.
A jornalista afirma que a influência do Vaticano ajudou a moldar a forma como os cristãos se alimentaram ao longo dos séculos. Ele ''criou hábitos como o consumo de peixe, descartou outros como a ingestão diária de carne em favor dos legumes, aconselhou o consumo moderado de vinho em vez de outras bebidas e favoreceu o consumo de frutas e verduras, por considerá-las mais econômicas e de fácil acesso a todos''.
Serviço
Livro ''Segredos da Cozinha do Vaticano'',
de Eva Celada
Editora: Planeta do Brasil
Páginas: 192
Preço: R$ 69,90
Tradução: Sandra Martha Dolinsky


