Se depender da baiana Maria do Carmo Vargas de Souza não faltam quitutes de sua terra natal em Curitiba. Todos são preparados em boa parte com ingredientes vindos do nordeste. Abará, acarajé, vatapá, caruru, bolinho de camarão, moqueca de peixe, sururu e bobó de camarão. A tapioca tradicional com coco, queijo coalho e manteiga de garrafa ganha recheios ao gosto do cliente: carne de sol, catupiry, cheddar, presunto, frango, morango, goiabada, banana, doce de leite e brigadeiro.
Os doces, aliás, são uma tentação das terras baianas. Não tem quem não se derreta por um quindim brilhante ou uma queijadinha. Pudim de tapioca, cuscuz de tapioca, pé-de-moleque, quebra-queixo, bolo de puba (mandioca fermentada) e cocada de todas cores e sabores. ''A cocada tradicional da Bahia é a cocada-puxa feita com gengibre, coco e rapadura, que dá a liga. Essa é a cocada do negro, o resto é invenção'', explica Maria do Carmo, que mora em Curitiba há 17 anos.
''Com o tempo fui percebendo que a cocada clara tem muito mais saída do que a cocada preta, a queimadinha. Por incrível que pareça existe preconceito até com o doce'', brinca a baiana, informando toda quarta-feira antes de abrir a barraca é feito um ritual religioso para os orixás. ''É minha cultura, não posso deixar morrer. Minha barraca é um pedacinho da Bahia, preservo as tradições e só trabalho com produtos de lá. Por isso, não vendo suco de uva, só de caju que é a fruta da minha terra'', raciocina ela.
Vestida de roupa branca, com as guias (colares) no pescoço e ojá, uma espécie de turbante, caprichosamente arrumado na cabeça, Maria do Carmo atende os clientes. Ela mesma prepara o acarajé, um bolinho feito de feijão fradinho moído e frito no azeite de dendê, recheado con vatapá, salada, camarão defumado, caruru e pimenta à gosto. ''O curitibano é aberto a esta troca cultural, principalmente da forma mais gostosa, que é através da comida. Aquilo que vai a boca também é cultura'', disse a bem-humorada Maria do Carmo. (F.G.)

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