Cultura quer preservar patrimônio histórico
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sábado, 10 de julho de 2004
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Com a preocupação de preservar o patrimônio histórico e cultural de Londrina, a Secretaria Municipal de Cultura está preparando uma legislação cujo intuito é viabilizar a conservação não apenas de monumentos ou prédios isolados, mas também de conjuntos de paisagens, como as casas de madeira de bairros antigos como, por exemplo, as vilas Casoni e Nova. O Plano Diretor de Preservação de Patrimônio é o documento inicial para definição de uma lei para defesa do patrimônio da cidade. ''Atualmente, a proposta está sendo estudada por setores competentes da administração municipal'', revela a diretora de Patrimônio Histórico e Cultural da secretaria, Vanda de Moraes.
Além de propor a lei, o plano define a criação de uma equipe técnica interdisciplinar e do Conselho Municipal de Tombamento, formado pelo poder público e sociedade organizada, que será responsável pela decisão sobre os tombamentos. O documento também será submetido a sugestões de profissionais. ''A meta é encaminhar a lei para a Câmara Municipal até o final do ano'', salienta Vanda. A fiscalização dos bens tombados será responsabilidade da prefeitura. Em contrapartida, os proprietários poderão receber incentivos, que pode ser a isenção parcial ou total de impostos. Hoje, a diretoria de patrimônio tem somente cinco estagiárias do curso de arquitetura. A equipe ideal, que deve ser formada com a aprovação da lei pelos vereadores, teria arquiteto, geógrafo, paisagista e cientista social.
Nos anos de 2002 e 2003, um projeto proposto por Humberto Yamaki ao Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) fez um levantamento sobre o patrimônio afetivo da cidade. Segundo Vanda, o resultado ''corrobora a opinião dos especialistas'' e indicou, entre outros, as praças da Bandeira e Rocha Pombo, Museus de Arte e Histórico, a Rua Sergipe e a Avenida Higienópolis.
Em Londrina, o Museu de Arte (antigo Terminal Rodoviário) e a Praça Rocha Pombo, desde 1974, e o Cine Teatro Ouro Verde, desde 1999, são tombados pelo Estado. Outros pontos como o Quarteirão Cultural, que abrange os prédios da Secretaria Municipal e Agência Central dos Correios e Concha Acústica, e o bosque estão com o processo de tombamento em tramitação. Segundo Vanda de Moraes, o Estado está aguardando a definição da lei municipal de tombamento.
A diretora, no entanto, adverte: ''O fato de terem entrado em um pedido de tombamento já lhes dá status de bens protegidos. A Capela do Espírito Santo e o quarteirão cultural, bosque e a Concha Acústica estão nestas condições'', explica. ''Mas é complicado citar bens particulares porque pode gerar especulação negativa'', acrescenta. Ela destaca que o plano diretor também necessita de inventário do patrimônio arquitetônico, que está sendo feito pelos estagiários. O trabalho também conta com o apoio de outros órgãos responsáveis pela preservação da memória da cidade, como a Biblioteca Pública, o Museu Histórico e o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Vanda de Moraes destaca que Londrina, embora seja considerada uma cidade jovem, passou por várias fases arquitetônicas. Estes estilos estão representados nas casas de madeira das vilas Casoni e Nova e da escola art déco das fachadas do comércio da Rua Sergipe. Através do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), foram lançados livros e feitas pesquisas sobre as mais variadas fases da arquitetura londrinense. ''Estamos fazendo um registro para o caso de não serem preservados'', conclui Vanda.


