A beleza das danças folclóricas e o contato com a tradição cultural de um outro país encantam mesmo quem não tem laços familiares com determinada etnia. Orlando Cardoso João, de 11 anos, e Fernanda Christina Knopf, de 13, não são descendentes de poloneses mas dançam já há bastante tempo no Grupo Folclórico Polonês do Paraná Wisla - ele há quatro anos e ela há cinco. Fundado em 1928 pelo coreógrafo Tadeu Morozowicz, o Wisla foi considerado pelo governo polonês um dos mais autênticos grupos folclóricos fora da Polônia e recebeu a comenda Oscar Kolberg, conhecido como o ''pai'' do folclore polonês.
A dedicação exigida é grande, são quatro ensaios por semana. Mas para Fernanda, mesmo com todas as dificuldades, ''a paixão é maior''. ''Já tentei sair várias vezes mas voltei. Não me imagino mais sem vir aqui. Quando falo que ensaio quatro vezes por semana meus amigos dizem que eu vou morrer de tanto dançar'', conta. Orlando também tentou deixar a dança duas vezes mas acabou voltando. ''Me sinto muito orgulhoso. Quando fico em casa não tem nada para fazer. Aqui encontro os amigos e me sinto bem'', explica.
Há sete anos no grupo, Roberta Malucelli, de 19 anos, veio a um ensaio com a amiga descendente de poloneses e hoje sonha em conhecer a Polônia. ''Acabei de sair do trabalho e não dá vontade de ir para casa. Muita coisa do que eu sou hoje eu aprendi aqui'', ressalta.
A coreógrafa do grupo, Christine Fabian, diz que os integrantes conhecem a cultura e acabam se apaixonando. Ela conta que por causa da dança e das músicas aprendeu a falar o polonês. E quando visita a avó polonesa ela fica emocionada. ''A gente canta juntas e ela fica bem feliz porque aprendi a falar a língua. É como se tivesse parado no tempo. São cantos e dialetos que só por causa do folclore se mantêm'', afirma. (D.R.)

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