CULTURA E RELIGIÃO - Umbanda reúne música, dança e alegria
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2008
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Música, dança, alegria. Para a jornalista e mãe-de-santo Lucília Guimarães, esses seriam os ingredientes de sucesso da umbanda, responsáveis por atrair milhares de seguidores. ''Na umbanda, também, não existe pecado'', acrescentou ela, complementando a justificativa. Lucília é mãe-de-santo no terreiro que tem o maior número de frequentadores na Capital: mais de 1,5 mil pessoas por semana. A Sociedade Espiritualista Edmundo Rodrigues Ferro ou Terreiro do Pai Maneco, como é conhecida a casa, tem como líder o pai biológico de Lucília, Fernando Guimarães ou ''pai Fernando''.
As sessões no Terreiro do Pai Maneco acontecem de segunda-feira a sábado. Cada dia, um pai-de-santo ou mãe-de-santo comanda as ''giras'', como são chamadas as sessões de trabalho da umbanda. A segunda-feira é o dia mais concorrido, quando pai Fernando e mãe Lucília coordenam os trabalhos. ''Cada um tem seu estilo, mas todos seguem a filosofia do Pai Maneco'', explicou Lucília. Segundo ela, são mais de 1 mil médiuns que atendem no terreiro. ''Em uma única segunda-feira, chegamos a ter mais de 400 pessoas na assistência'', lembrou. A assistência é formada pelas pessoas, que só acompanham os trabalhos como espectadores ou, ainda, buscam as consultas com os médiuns.
O comerciante Edson Schilapak é um dos frequentadores do terreiro do Pai Maneco, há dois anos, mas descobriu a umbanda já há 15 anos. ''Eu sempre fui muito cético e precisava abrir, desenvolver meu lado espiritual. Das religiões existentes, o espiritismo é a que me deu uma explicação melhor do porquê estamos aqui'', opinou. A umbanda, segundo seus seguidores, tem um sincretismo com a religião espírita. Schilapak participa dos trabalhos da mãe Jô, às quartas-feiras. ''Eu me sinto muito bem aqui. Traz uma paz interior muito grande. Saio daqui revigorado'', descreveu ele.
Lucília acredita que, de uns 10 anos para cá, os terreiros de umbanda vêm conseguindo fazer uma ''limpeza'', desfazendo a imagem distorcida a respeito da religião e resgatando sua credibilidade. Para ela, a sociedade sempre fez associações equivocadas da umbanda com casos como o do menino Evandro, de Guaratuba, que teria sido morto em ritual de magia negra.
O Terreiro do Pai Maneco adota, ainda, uma postura social e ambientalmente correta, afirmou Lucília. No quintal onde funciona o terreiro, foram preparados espaços dedicados às homenagens e trabalhos aos espíritos, evitando que sejam dispostos em vias públicas. A casa também se dedica a um trabalho social, oferecendo oficinas de corte e costura, culinária e informática. ''Nossa parte espiritual está bem desenvolvida e, por isso, decidimos trabalhar o lado social. Mais de 70% das pessoas que vêm aqui se queixam de desemprego, falta de dinheiro e depressão por consequência de um ou outro problema'', revelou a mãe-de-santo.


