Uma cidade que trabalha na disseminação da cultura e arte pelos bairros. Quem visita Ibiporã, logo percebe que o assunto ganhou extrema importância nos últimos anos. Pelas ruas do município, esculturas expostas do famoso artista plástico Henrique de Aragão. No complexo cultural construído ano passado, o cineteatro Padre José Zanelli – precursor de um trabalho artístico na cidade nos anos 1950 – é o coração de uma área construída que abriga aulas de dança, música, artes plásticas, cênicas, um centro de artesanato, além de um Espaço de Memória para os pioneiros e a Casa de Arte Henrique de Aragão . Um trabalho que envolve mais de 1,5 mil ibiporaenses, com duzentas crianças e adolescentes passando pelo complexo diariamente.
Segundo Sandra Moya Morais de Lacerda, vice-prefeita e secretária de cultura e turismo de Ibiporã, o investimento nessas áreas quadruplicou nos últimos cinco anos, atingindo aproximadamente R$ 2 milhões. ‘‘O nosso grande objetivo e descentralizar a cultura para os bairros da cidade, por meio das escolas e centros comunitários. Temos que ir de encontro com as crianças e jovens do município’’, explica ela.
Pelos projetos conhecidos como ‘‘Bravo’’, ‘‘Educarte’’, entre outros, milhares de pessoas têm contato com a arte em aulas de música, teatro e oficinas que ensinam a tocar instrumentos musicais, aprender danças populares e artes plásticas.
Exemplos não faltam de alunos que conquistaram espaço no mundo artístico depois de passar pelas aulas. Professores de piano, dançarinos de balé e até seis crianças que foram encaminhadas para a famosa escola russa do teatro Bolshoi, que tem uma extensão em Joinville, em Santa Catarina. ‘‘São crianças e jovens bem dedicados que participam de apresentações de dança durante todo o ano. Nossa escola já é reconhecida no Brasil’’, diz Michele Moya, professora de balé, e que está envolvida com a escola desde pequena.
A professora Kettlyn Matsunaga, coordenadora da escola de música da Fundação Cultural de Ibiporã, comenta que possui 167 alunos de 6 a 82 anos. ‘‘Muitos não são musicalizados, mas encontramos diversos talentos nos bairros que chegam aqui com o objetivo de se profissionalizar. Quem participa do projeto já ama a música de alguma forma’’, salienta.
O professor de piano Eduardo Henrique Godoy Barbosa, de apenas 18 anos, começou num projeto de canto até notar seu talento com o instrumento. ‘‘Nunca imaginei me tornar um profissional da música. Pretendo continuar estudando para me apriomorar cada vez mais’’, complementa o rapaz.
Além de incentivar os jovens, o complexo cultural também está auxiliando cerca de 90 pessoas que vivem especificamente do artesanato. Desde o ano passado, os profissionais podem participar de oficinas para a melhorar a qualidade de seus produtos e comercializá-los em uma loja criada especialmente para eles.
Revitalização
Um dos maiores investimentos realizados na área cultural da cidade está voltado para a revitalização da Estação Ferroviária do município. O local, que é tombado pelo Patrimônio Histórico, estava abandonado e vai se tornar o Museu do Café. As licitações já estão finalizadas e a ideia é que o espaço seja aberto a população em novembro de 2011. ‘‘Iremos receber um investimento de R$ 1,3 milhão para revitalizar a Estação. Ao lado do Museu, ainda será construído um centro sócioeducacional e cultural, além de transformar as casas vizinhas em centros de produção artísticas’’, finaliza Sandra.

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