Cultura de grãos pode redimir região
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Egidio Brizola Londrina 
Arquivo FolhaA soja começa a surgir com força, com produtividade igual à nacional O processo de deterioração da agricultura na região de Umuarama acentuou-se em meados da década de 70, quando as grandes geadas dizimaram os cafezais, que até então eram a base de sustentação econômica regional. O pecado da monocultura cafeeira deixou a absoluta maioria da população sem outro meio de renda, aponta o prefeito Fernando Scanavaca. A consequência - afirma - foi a incontrolável migração das populações para outras regiões, em busca de outras oportunidades.
O problema é que, sem saber fazer outra coisa senão tocar lavoura de café, os migrantes não encontraram ocupação, e acabaram indo para centros urbanos e criando bolsões de pobreza, recorda o prefeito. Eles passaram a viver de forma indigna ao ser humano, e muitos dos antigos agricultores, principalmente os pequenos e médios que quiseram persistir na luta se transformaram em bóias-frias - lamenta Scanavaca.
Como se não bastasse o problema social determinado com o fim da cafeicultura, o desamparo dos governos deixou a região de Umuarama abandonada à própria sorte, com os produtores inteiramente descapitalizados. Com o fim do café, a produção rural regional derivou dramaticamente para a pecuária, mas a decisão custou novos sacrifícios: as pequenas propriedades foram sendo rapidamente incorporadas pelas grandes, criando-se enormes extensões de pastagens. A mudança foi tão radical, que concentrou em Umuarama o maior rebanho bovino do Paraná.
Caminho certoMas a natureza tinha outros planos. O arenito caiuá, da qual é formada a terra da região, logo mostrou seus limites pelo tratamento e pelo uso inadequados pela pecuária, revelando seu esgotamento. Com muito custo, os pecuaristas vêm-se mantendo até os dias de hoje. A fertilidade da terra comprometida, o custo de produção altíssimo, o preço de comercialização aquém da realidade formaram um tripé de baixa sustentação, obrigando à busca de saídas. Uma delas, agora implementada, é o Pater.
O papel do poder público - diz Scanavaca - é interligar as duas pontas importantes do segmento agropecuário: aqueles que querem investir na agricultura e não dispõem de terras, e aqueles que têm terras para serem recuperadas. Mas o prefeito reconhece que, junto a isso e também à possibilidade de diversificação, também vem a possibilidade de mudança da mentalidade dos proprietários.
O Pater começa a mostrar aos pecuaristas cujas terras estão sob dificuldade de conservação, que o arrendamento para o plantio direto de grãos é o caminho mais certo e mais curto para a recuperação. No lançamento do programa, em março, o sucesso do programa já despontou: o pecuarista Paulo Arenas e o agricultor Miguel Castaldo foram os primeiros a aderir, com o segundo arrendando 100 alqueires do primeiro, para cultivo de grãos.
A Prefeitura de Umuarama calcula que, na primeira fase, a demanda por terras agricultáveis no regime do Pater deverá ser de 2,4 mil alqueires. Com três meses de existência do Programa, já existe um estoque de 1.000 alqueires cadastrados junto a proprietários, para serem repassados a interessados em potencial.


