Cultura dá espetáculo em Londrina
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Alexandre Horner<br>Especial para a FOLHA 
Uma indústria que não polui, gera riquezas, empregos e agrega valores em outros setores da economia. De quebra, valoriza a imagem de Londrina no País e no mundo e eleva nosso capital cultural e intelectual. Ajuda também a alimentar o setor de Turismo de Negócios e Eventos e suas ramificações na cidade. Esta área cresceu 33% na economia mundial entre 2006 e 2007, e ficou entre os três maiores mercados em termos de crescimento anual no planeta.
Em Londrina, o turista pode ser do Paraguai, Irlanda (Europa), ou mesmo uma família de moradores do Jardim Califórnia que pela primeira vez vai assistir a um espetáculo no Teatro Ouro Verde. É isso. A globalização e universalização também podem ter caráter local, quando as pessoas passam a consumir produtos da cidade que antes não existiam ou não estavam disponíveis a tão baixo preço. Daí o fenômeno de desenvolvimento que é vivido hoje na cidade na área cultural.
Cara e coroa
Dentro desta rede de negócios, os setores se multiplicam a todo momento. Um dos que mais mostram sua cara - e coroa - na área de comércio e serviços é a Cultura. Foi-se o tempo em que a cultura representava quase que somente diletantismo e amadorismo. Cada vez mais, o mundo da Cultura passa a ocupar parte significativa do setor de serviços, empregos, recursos - sem falar na produção comercial de bens culturais, assunto que com certeza renderia outra reportagem.
Organizações do governo municipal, empresas particulares ou fundações comunitárias da cidade e da região apostaram neste crescimento e os resultados são visíveis. Pela primeira vez em sua história, e na primeira década do século 2000, a cidade vive um boom de investimentos em cultura que se alimenta de fontes diferentes, mas que fluem para um mesmo rio em fase de cheia.
A razão disso tudo é a operação conjunta de várias frentes de planejamento e produção que poucas cidades interioranas do mesmo porte que o nosso podem usufruir. Razões para isso não faltam. Em primeiro lugar, uma política pública de injeção direta de recursos públicos municipais. Somente o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) investiu diretamente R$ 15,1 milhões em 552 projetos das mais diversas áreas culturais entre 2003 e 2007.
Uma boa idéia idealizada e realizada rendeu mais frutos: Rede da Cidadania, Rede Alegria, Vilas Culturais e uma série de outros projetos que vêm sendo gestados.
Esta política de investimento público amadurece os gestores culturais (artistas e produtores de um modo geral) para vôos mais amplos. A experiência e a coleção de resultados positivos os tornam mais capazes e preparados para atrair recursos do Ministério da Cultura (MinC) e das empresas brasileiras que mais investem em cultura no país. É dinheiro que vem através da Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Eletrosul, Votorantim, Bradesco, entre outras.
Profissionalização
Entre outros motivos, isso é possível porque a cidade oferece inúmeras opções de profissionalização para quem se propõe a atuar na área cultural. Cursos superiores abertos na cidade nos últimos anos formam atores, diretores, músicos e profissionais de dança.
A semente desta gama de cursos está justamente nos festivais culturais permanentes, como o Festival Internacional de Teatro (FILO) e o Festival de Música de Londrina (FML). São grandes eventos incorporados na agenda anual da cidade que mais do que somente oferecer programação artística, investem pesado na formação pedagógica.
Sem falar que Londrina tem oito festivais culturais permanentes, realizados
todos os anos. Além de feiras rurais, festas étnicas e mostras, como a
Mostra Zumbi dos Palmares.


