Cultivo da soja será sustentável
Em 20 anos, a Embrapa Soja terá mudado seu foco da produtividade para a sustentabilidade. A empresa, com sede em Londrina, completará 59 anos quando Londrina fizer 100. E será muito mais importante tanto no cenário nacional como no internacional, devido à maior dependência que o mundo terá da commodity.
"Nós estaremos trabalhando (em 2034) com um foco bem diferente. Hoje, focamos na produtividade. Mas, para garantir que continue havendo retorno aos que produzem, teremos de atuar de olho na sustentabilidade", afirma o chefe-geral da empresa, José Renato Bouças Farias. Isso significa, segundo ele, desenvolver cultivares que utilizem agrotóxico o menos possível. "O mundo todo está tomando consciência de que o uso amplo de agrotóxico na lavoura traz mais prejuízos que benefícios", avalia.
De acordo com Farias, outra preocupação é com sementes que garantam planta de mais qualidade. "Vamos nos preocupar com determinadas características alimentícias para, por exemplo, produzirmos melhores óleos", explica. Ele lembra que a soja tem mais de 4 mil usos - inclusive na indústria farmacêutica e de cosméticos. E a produção nacional crescerá cerca de 28% em 20 anos, de 90 milhões de toneladas para 115 milhões de toneladas.
Farias aposta que, em duas décadas, o sistema integrado de produção estará consolidado. Ou seja, o produtor deixará de plantar a oleaginosa durante três anos e explorará a pecuária na área. Depois de três anos, volta ao cultivo de soja. E assim por diante, sempre alternando a produção. Na mesma área, de acordo com o chefe da Embrapa, ainda é possível plantar árvores. "Além de melhorar a condição térmica local, é uma fonte de renda. A cada oito anos é possível cortar as árvores e vender essa produção", afirma.
O chefe-geral diz que a Embrapa também terá, em 20 anos, cultivares mais resistentes à seca, uma vez que a escassez de água irá aumentar. "O Paraná, que já foi exemplo em programa de manejo no passado, abandou essas práticas, e terá de resgatá-las. Terá de recuperar a expertise em conservação do solo e dá água. A Embrapa desenvolverá novas práticas conservacionistas", avisa.
Farias acredita que a presença da Embrapa Soja no cenário internacional irá aumentar muito. "Faremos muita transferência da tecnologia para outros países tropicais", declara. O quadro funcional da Embrapa, que já é altamente capacitado, será ainda mais. "Hoje já discutimos a extinção de carreiras de baixa formação. Vão predominar as carreiras ligadas à atividade fim da empresa", informa. (N.B.)
Leia mais:
- Negócios inovadores serão multiplicados





