A psicóloga Lídia Weber, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutora em Psicologia Comportamental, esclarece que o sentimento de culpa por não passar mais tempo com os filhos é normal. ''Toda mãe passa por isso. O problema é se culpar em demasia e repassar esse sentimento para o filho, criando um vínculo inseguro. E mentir para a criança não é uma saída porque pode criar ambivalências ruins. O melhor é ser franca, lidar sempre com a verdade, explicando a importância do trabalho e a necessidade de se dedicar a profissão'', explica a especialista.
É primordial que as mães - e também os pais - não deixem de comparecer a momentos importantes da vida do filho, como festinhas do calendário escolar e reuniões de pais e professores. ''Faço aqui até um alerta aos empregadores, que permitam os pais a participarem desses eventos com os filhos, a levarem as crianças ao médico, no horário de trabalho'', pontua Weber, informando que o departamento de Psicologia da UFPR realizou uma pesquisa sobre a culpa por deixar os filhos na creche ou em escolinhas, com dois grupos de mães de classes sociais diferentes.
Ambos os grupos sentiam culpa, mas as mães pertencentes ao grupo de classe superior apresentaram muito mais. ''Entrevistamos mães de classes distintas dentro de um hospital que deixavam os filhos na mesma creche. Nas mães serventes a culpa não era tanta porque elas encaravam o trabalho como uma necessidade e não um luxo, enquanto que para as mães médicas parecia que elas poderiam dispor de mais tempo para cuidar dos filhos'', relata a professora, acrescentando que outra pesquisa apontou as boas práticas parentais de educação dos filhos dentre as profissões, junto a estudantes universitários.
Para grande surpresa, as mães mais criticadas foram as donas de casa, que teriam mais tempo para se dedicar a criação dos filhos. ''Na percepção dos estudantes, elas apresentaram as piores práticas de educação, foram as que mais bateram e gritaram com os filhos e costumavam a agir de forma coercitiva. Isso é um dado muito importante, porque mostra que ter apenas tempo disponível não é suficiente, se a mãe fica estressada e infeliz dentro de casa. É melhor ficar uma hora com o filho, mas com amor e alegria'', disse Weber, completando que as mães que tiveram as melhores práticas foram as professoras.
Crianças que ficaram em boas creches, segundo pesquisas, se desenvolveram mais do que aquelas que não frequentaram, pois receberam estímulos e conviveram com seus pares. ''Na creche, a criança aprende as relações sociais e as regras mais facilmente. Os filhos foram se adequando aos novos tempos e não sofrem grandes prejuízos por passarem menos tempo com as mães, que tinham como glória, no passado, a exclusividade da maternidade. Saber disso, ajuda a aplacar um pouco mais esse sentimento de culpa'', explica Lídia Weber. (F.G.)

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