Culinária proibida (e saudável)
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Ele é argentino, mas aos 20 anos, de olho na aventura e numa oportunidade de mudança, foi morar em um kibutz, em Israel. Lá conheceu sua ''cinderela'', como chama a mulher, Iona, uma brasileira que foi parar no Oriente Médio com o mesmo objetivo que o dele. Um mês depois, eles estavam casados. Chegaram a morar em São Paulo, mas em busca de melhores condições de vida voltaram para Israel. Durante duas décadas, Mario Fleischman morou em várias cidades do país, atravessou três guerras, criou as duas filhas, hoje com 28 e 22 anos, e ainda aprendeu a profissão que mantém e que resolveu desenvolver no Brasil: a de chef de cozinha.
A carreira começou exatamente no kibutz, os grupos que vivem em comunidade em Israel, cada um trabalhando com alguma coisa que possa ser revertido para o grupo. Depois de trabalhar numa fábrica, como metalúrgico, perguntaram para o rapaz o que ele queria desenvolver. A cozinha foi uma escolha, embora na época não tivesse nenhuma experiência. ''Foi um desastre'', brinca Mario, que tinha que cozinhar para 1,5 mil pessoas. Mas por pouco tempo. Logo, o rapaz já estava imerso em cursos que duravam o dia todo, seis dias por semana. Um ano depois, tinha o diploma de auxiliar de cozinha. Foi nessa época que aprendeu o ''segredinho'' citado acima e que carrega consigo na sua experiência como chef.
''A formação em Israel é muito diferente do Brasil, que oferece cursos de chef em pouco tempo. Lá, depois de receber o título de auxiliar, você ainda precisa fazer quatro exames para obter o de chef'', conta. Mario é chef de cozinha internacional e tem certificado do Ministério de Trabalho de Israel. Lá, sempre trabalhou com a gastronomia, mas uma outra relação, a com a culinária naturalista, começou a se desenvolver quando o casal, sem as filhas, decidiu vir para Curitiba.
A decisão de sair de Israel não foi tomada em pouco tempo. ''Ficamos anos pensando nisso'', conta. O que mais pesou, foram questões como religião e cultura. Mario é judeu, mas nunca conseguiu se acostumar com as regras e leis do país, além de ter que conviver com as guerras e outras questões bem distantes do universo brasileiro. ''Gostávamos do Brasil, mas não queríamos voltar para São Paulo''. Começou então a pesquisa por uma cidade que tivesse as condições de vida almejadas pelo casal: um bom transporte e um clima frio''. Decidiram por Curitiba.
Mario e Iona chegaram à cidade em setembro do ano passado e em pouco tempo montaram o restaurante Espaço Verde, especializado em comida natural. No local, Mario ainda passou a desenvolver, a pedidos, cursos de culinária naturalista. A opção por receitas mais saudáveis começou com uma decisão tomada por ele, em busca de uma melhor qualidade de vida. Associado a exercícios físicos, ele sentiu no corpo o que muitos regimes milagrosos prometem. ''O homem não pode digerir tanta carne'', ensina o chef, que come carne vermelha poucas vezes por semana, apenas para suprir a quantidade de vitamina B12 que o corpo precisa e que não são facilmente encontradas nos vegetais.
No restaurante que administra com a mulher, inclui a opção de frango e peixe apenas para agradar a clientela, ainda pouco acostumada a comidas naturais. Mas ele garante que a alimentação saudável ajudou a mudar sua vida. E ensina isso para os interessados, que cada vez mais procuram o espaço para aprender e provar boas receitas, como a que o chef ensina com exclusividade para a Folha: a receita de croquete de espinafre, uma refeição completa e saborosa. Vale provar.
Serviço
- O restaurante Espaço Verde fica na Rua Ébano Pereira, 44. Informações: (41) 3039 8414


