Muitas mulheres e homens são excelentes cozinheiros sem jamais terem pisado em uma aula de culinária. Nossas mães e avós aprenderam na própria cozinha de suas casas a arte de combinar ingredientes e decorar pratos. Toda a família tem aquela pessoa que se desloca pela cozinha como fada ou mago, misturando temperos e, como se fosse alquimista, transformando um bife com arroz e feijão no melhor e mais cheiroso prato do mundo. É claro que, para muitos brasileiros, é o melhor prato do mundo.
Antigamente não havia muitas oportunidades de se fazer um curso de culinária. Ou aprendia com a mãe ou na escola, nas aulas de ''Economia Doméstica''. Novas receitas não eram divulgadas com tanta facilidade como hoje. Eram transmitidas nas próprias famílias ou entre amigos. Livros de culinária também não eram tão acessíveis.
Hoje a situação é completamente diferente. A internet, a televisão, revistas e jornais se encarregam de difundir a gastronomia. Os segredos dos ''chefs'', as dicas mais preciosas estão aí, ao vivo e a cores, para quem quiser saber. É possível até aprender a cozinhar sem gastar um ''tostão''. Os supermercados são os principais encarregados dessa façanha com os cursos gratuitos de culinária. Funciona mais ou menos assim: em parceria com algum fornecedor, o supermercado disponibiliza estrutura física, ingredientes e divulgação. A empresa parceira cede o instrutor e a receita.
Em Curitiba, vários desses cursos acontecem por mês em diferentes supermercados. No último curso promovido pelo BIG, 38 pessoas participaram - eram 40 vagas. Segundo o diretor-regional do supermercado, Gilberto Alves, a maioria dos participantes é mulher, geralmente donas-de-casa com idade média de 45 anos.
Ao contrário do que muita gente pensa, o aprendizado da culinária não é o único interesse dos participantes. Muitos encontram nesses cursos oportunidade de fazer novas amizades e uma forma de lazer. Francisca Rodrigues da Silva, de 69 anos, moradora do Bairro Alto, não se incomoda de pegar ônibus para fazer uma aula no Juvevê ou na Boa Vista. ''Pelo menos saio um pouco de casa'', conta.
Francisca aprendeu a cozinhar com a mãe, mas diz que aproveita bem as aulas. ''Hoje é tudo mais fácil. Antigamente era muito diferente'', comenta. Na última sexta-feira ela passou a tarde em um supermercado do Juvevê aprendendo a fazer molhos de macarrão. Hoje, por causa da idade, Francisca diz que não cozinha diariamente. Mas tudo que aprende passa para a filha, com que mora.
Sempre que vai ao supermercado, Carmem Luzia Enes, de 65 anos, observa os cartazes informando sobre cursos gratuitos de culinária. Mas, mesmo que ela não vá ao mercado, as amigas se encarregam de telefonar, avisando. ''É válido, a gente sempre está aprendendo alguma coisa nova'', diz. Há anos Carmem frequenta essas aulas e são muitas as receitas gostosas que aprendeu e que faz até hoje para a filha, o marido e os amigos. As mais famosas são uma lasanha de bacalhau e um pão de linguiça, aliás, um prato bem pedido na família.
O Pão de Linguiça é especialidade de Carmem. O sabor lembra os pães caseiros feitos pelos imigrantes italianos, bem saboroso e consistente. A dona-de-casa diz que é uma receita muito especial, que ela repassa para o leitor da FOLHA DE LONDRINA (veja nesta página).




Vantagens para os supermercados

As redes de supermercados apostam nos cursos gratuitos de culinária como uma forma de fidelização dos clientes e de construir uma imagem positiva da empresa. ''Ao trazer o cliente para dentro da loja fortalecemos nosso relacionamento, fazendo com que a marca esteja em evidência na lembrança dele, cliente, de forma positiva'', explica o diretor-regional do supermercado BIG, Gilberto Alves.
Ele explicou que as receitas são sugestões dos fornecedores que atuam como parceiros nos cursos. ''O critério é de que sejam receitas práticas, saborosas e que possam ser repetidas pelas participantes em casa'', afirma.
Para esta edição da Folha, o BIG apresenta uma receita apresentada em um dos últimos cursos, realizado em parceria com o Moinho de Trigo Anaconda: Croissant de Açafrão. (A.D.C.)



Pão de Linguiça


- 1 quilo de farinha de trigo

- 1 sache de fermento biológico seco

- 1 colher (sopa) rasa de sal

- 3 colheres (sopa) de açúcar

- 1/2 xícara de óleo

- 1 ovo

- 2 xícaras de água morna

- 600 gramas de linguiça calabresa defumada


Modo de fazer: Triture a linguiça calabresa, frite-a e escorra a gordura em uma peneira fina. Reserve. Coloque em uma bacia funda o sal, o açúcar, o óleo, o ovo e a água. O fermento, misture em uma xícara de trigo e vá misturando bem com os ingredientes relacionados acima. Continue colocando a farinha de trigo, sove a massa até desgrudar das mãos.

Deixe descansar por 45 minutos ou dobrar de tamanho.

Divida a massa em duas partes, abra com o rolo em uma superfície esfarinhada, recheie com a linguiça e enrole como um rocambole. Coloque em uma assadeira untada e polvilhada com trigo. Deixe descansar por mais 25 minutos e leve-a para assar por uma hora em forno quente (180 graus).

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