Outra sugestão para buscar equilíbrio entre corpo e espírito é cuidar do campo da religiosidade, que é entendido pelo psiquiatra e psicoterapeuta, Marcelo Augusto Duarte Teixeira, como um espaço no qual se busca o sentido último do ser humano, aquele que faz o homem se perguntar: ''Quem sou? Qual é o meu papel no mundo?''.
Para o psiquiatra, é a religiosidade que possibilita ao homem refletir sobre si mesmo. ''Mas não estou falando especificamente de religião. Até a pessoa mais humilde faz esses questionamentos, pois sem esse sentido para a vida, não nos resta nada'', garante.
Ele afirma que a fé religiosa precisa de reavaliação constante para que não se torne o que especialistas consideram uma fé infantil, aquela que as pessoas aprendem quando crianças, mas que não as leva a refletir se é capaz de preencher a busca pelo próprio sentido da vida. ''Vemos muita gente dizer automaticamente qual a sua religião, sem refletir se, de fato, a segue, ou se acredita naquilo que prega. Aí, entram outros elementos religiosos e vira uma miscelânea de crenças, que reflete exatamente a marca da crise da modernidade: o relativismo''.
Teixeira explica que, na Antiguidade, ''era do absoluto'', a religão ficava bem demarcada e deveria ser seguida à risca pelos seus fiéis. Atualmente, o homem tem o poder de decidir sobre a própria prática religiosa, opção com a qual tem tido dificuldade em lidar. ''A fé é algo natural no desenvolvimento do ser humano. À medida que organiza razão e emoção, o homem vai superando bloqueios que lhe permitem abrir-se para vida, podendo assim vivenciar essa atitude de confiança básica, que é a fé'', explica.
O psiquiatra ressalta apenas que, para acessar o campo da religiosidade, sem cair no fanatismo, é preciso organizar bem o lado emocional. ''Quando esses campos se confundem, a gente vê prevalecer as guerras fundamentalistas'', analisa. Ele entende que a crença religiosa é ao mesmo tempo racional e irracional e que, por isso, é preciso lidar com ela com atenção. ''Não acredito que a religião seja o ópio do povo, mas penso que ela pode ser usada como tal. Depende de quem se deixar ser manipulado'', afirma. (G.B.)

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