Para idosos que precisam de internação e não encontram condições de se recuperar em casa, o Cegen já conta com o Setor de Cuidados Prolongados, mantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Lá, o paciente passa o tempo que for necessário para a sua reabilitação, sob cuidados de equipe de enfermeiros, fisioterapuetas, nutricionistas, assistente social e psicólogo.
  São tratados casos de doenças ortopédicas, neurológicas, pulmonares, sequelas de AVC, reabilitação de cirurgias de fratura e cuidados paliativos. A estrutura comporta 30 leitos. ‘‘Tem pessoas que se recuperam em três ou seis meses, mas tem pessoas que precisam de mais de dois anos’’, comenta Luciana Buono Landgraf, assistente social do Cegen.
  Este é o caso da paciente mais velha do setor: Gervina Rodrigues dos Santos, de 102 anos. Ela já sofreu inúmeras quedas, tem incontinência urinária, cardiopatia isquêmica e teve ferida nos dois pés. Sua recuperação, no entanto, surpreendeu os profissionais do setor, já que não precisou em nenhum momento ir para a UTI.
  Mineira e afeita a uma conversa, Gervina apresenta mais lucidez que os mais novos. Lembra de todos os lugares onde trabalhou. ‘‘Fui bóia-fria, carpinei algodão, soja. Depois, quando acabou o serviço, fui trabalhar em casa de família. Trabalhei em colégio cinco anos e, quando saí de lá, vim trabalhar no salão da paróquia por três anos. Depois fui trabalhar em um bazar’’, lembra. Mãe de oito filhos, um deles é que inclusive foi levar dona Gervina de volta à Casa de Saúde, depois de passar o fim de semana com a família.
  Para não se deixarem desanimar pela rotina de tratamento, os pacientes do setor têm ainda aulas de música e de artesanato uma vez por semana. Datas comemorativas como Carnaval, Páscoa, Dias das Mães, Dias dos Pais Festa Junina e Natal são lembrados com festas, até para ajudá-los na localização do tempo. Todo mês tem festa de aniversariantes do mês.
Pagando menos
  Como pagar mais barato pelo atendimento à saúde é direito dos mais velhos, um programa que oferece preços de tabelas diferentes com profissionais da cidade - o Viva Bem Até os 100 - é outra das ações do Cegen. ‘‘Quanto maior a idade, maior o desconto. Jovens também participam, mas idosos são mais beneficiados’’, explica Luciana. (M.F.C.)


  Denúncias de violência contra pessoas idosas também são um dos focos do Cegen. No Centro de Prevenção da Violência Contra a Pessoa Idosa, uma equipe recebe denúncias anônimas, e até de familiares, de casos de maus tratos a idosos. A equipe faz uma visita ao local para verificar se a denúncia procede, e procura fazer a mediação. Quando necessário, o caso é encaminhado à Polícia, e a vítima, ao Setor de Cuidados Prolongados.
  A ação tem apoio da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, em Brasília. ‘‘Recebemos de 80 a 100 denúncias de maus tratos por ano’’, afirma Luciana. Casos, por exemplo, de idosos que vivem em condições precárias porque a família tem poucas condições de oferecer o cuidado adequado, também são recebidos e procuram ser atendidos pela equipe do centro. (M.F.C.)

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