Andar pelas ruas no verão debaixo de um sol de quase 40 graus não é nada fácil. Como se não bastasse o suor e a sensação maior de cansaço, outra consequência passa quase despercebida nesta época do ano: o dano à visão causado pelos raios ultravioletas. A receita é simples: usar óculos escuros. Não importa a cor, o formato ou o preço, o fundamental é proteger a vista dos perigos do sol.
''Óculos não devem ser levados em conta só como acessório fashion, mas como instrumento de proteção. Usar óculos escuros tem que ser um hábito, uma rotina'', orienta a oftalmologista Cristiane Assami Chui. Além da proteção, os óculos escuros servem para resguardar a região das pálpebras de um possível câncer de pele.
Se usar óculos é importante, mais ainda é tomar cuidado na hora de escolher um. O erro mais comum dos consumidores é se deixar levar pela tentação dos preços baixos oferecidos por ambulantes e nos camelódromos. Um levantamento feito pela reportagem constatou que os produtos piratas custam entre R$ 5 e R$ 25, com qualidade ''garantida'' pelo vendedor: ''para quebrar um desse aqui, só com martelo'', atesta um ambulante.
Para a oftalmologista, a recomendação ideal é procurar uma ótica. ''Entre um óculos do camelô e nada, melhor não usar nada'', indica, lembrando que alguns produtos vêm até com selo garantindo 100% de proteção contra raios UVA e UVB, um engano para o consumidor. ''Na situação de claridade, a pupila dilata e, como proteção natural, a gente fecha os olhos. Se os óculos não tiverem o filtro, a pupila ficará desprotegida''.
Para atestar a qualidade do produto, ela traz uma orientação que faz o consumidor perceber na hora se está levando um bom óculos. ''A lente dos produtos de má qualidade muitas vezes vem com grau. Quando você põe o óculos percebe a distorção na hora. A sensação de mal-estar é a prova de que não presta'', afirma.
Quando o assunto é óculos escuros, também é importante esclarecer alguns mitos: A espessura da lente faz diferença? E a cor dos óculos, dos olhos? A oftalmologista responde. ''Tanto a grossura da lente quanto a cor não fazem diferença nenhuma. Pode ser fino, grosso, preto, marrom, o que importa mesmo é o filtro de raios ultravioleta A e B''.
A cor dos olhos, no entanto, traz alterações, segundo explicação da especialista. ''Olhos claros têm mais sensibilidade e, portanto, correm mais riscos. Eles produzem uma quantidade menor de melanina, que controla a absorção de raios ultravioleta''. Sem esse controle, pode causar a degeneração macular, lesão gradativa da visão que ainda não tem tratamento. Os danos não são imediatos, mas dependendo do tempo de exposição ao sol sem proteção, pode acelerar o processo.
Mais que um vício, um hábito
A empresária Sônia Gisele Pires não vive sem os óculos escuros. Sejam os de lentes pretas, marrons ou neutros, um deles está sempre na bolsa em caso de emergência. Em dias de muito sol ou mesmo quando o tempo está nublado, a falta deles é percebido logo que Sônia sai às ruas. ''Sinto um cansaço muito maior na vista quando estou sem óculos. Sem contar que a gente fica sempre com a cara fechada, parece que está brava com alguma coisa'', observa.
A preferência da empresária, que está sempre por dentro das novidades, é por óculos mais incrementados e de tamanhos maiores, que tampam a lateral da vista, além das ''lentes que não escurecem tanto''. Os modelos adquiridos por Sônia custam entre R$ 600 e R$ 2 mil. ''Não adianta nada comprar uma coisa barata no camelô porque ele não vai ter uma lente boa, não oferece proteção nenhuma. É um gasto inútil, que só vai causar danos no futuro''.

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