O eleitor precisa estar atento na hora da votação. Existem duas ‘‘arapucas’’ armadas pelo sistema eleitoral em que é preciso cuidado para evitar frustração com o resultado das urnas. A primeira é mais simples, mas engana muita gente: a ordem de votação. No dia 7 de outubro, o primeiro voto é para vereador e não para prefeito. O número a ser digitado possui cinco algarismos, se for para um candidato, ou apenas dois dígitos, ser for para partido político. É comum as pessoas inverterem a ordem, antecipando o voto para prefeito. Isso altera o cálculo para a composição da Câmara de Vereadores, favorecendo candidatos da coligação do prefeito eleito.
  A segunda ‘‘arapuca’’ é justamente o cálculo para eleição dos vereadores. Quando a pessoa digita os cinco números está escolhendo duas coisas diferentes: um partido político e um candidato, nessa ordem. No final do dia 7 de outubro, a Justiça Eleitoral dividirá o número de votos válidos (descontados brancos e nulos) pela quantidade de vagas na Câmara Municipal. É o quociente eleitoral, que determina quanto vale em votos cada cadeira no Legislativo. Para Londrina estima-se que o valor fique em torno de 15 mil votos neste ano.
  Terminada a apuração, o TSE conta primeiro quantos votos cada partido recebeu na corrida pelas vagas de vereador. É como uma nota de corte de vestibular: se a legenda não fizer 15 mil votos na soma dos seus candidatos a vereador, está fora. No caso das coligações, vale a soma dos membros da chapa de candidatos, que contam para a Justiça Eleitoral como ‘‘um partido único’’.
  Se uma coligação fez 60 mil votos, por exemplo, ela conquistou quatro cotas de quociente eleitoral, habilitando-se a indicar quatro vereadores. Somente agora é que o nome do político entra na conta, pois assumem as vagas os candidatos mais votados dentro da legenda. É o caso do Tiririca, na eleição de 2010. Ele recebeu 1,3 milhão de votos para deputado federal, quantia suficiente para dar quatro cotas à coligação. ‘‘Sozinho’’ ele ganhou quatro cadeiras na Câmara Federal, levando para Brasília políticos cuja votação não chegou a 100 mil votos (10% da obtida por ele). É por isso que políticos bem votados às vezes ficam de fora da Câmara Municipal: ou o partido dele não atingiu a nota de corte, ou ele não ficou entre os mais votados da sua própria coligação.

Imagem ilustrativa da imagem Cuidado com as ‘arapucas’ da hora do voto
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