Cuidado com a pirataria
Miriam Karam
De Curitiba
Especial para a Folha
Um simples send, quando a ligação é completada, pode ser o suficiente para que a identificação (o número serial) de um telefone celular seja captada por equipamentos. Então, ela pode ser usada em outro aparelho e o problema está instalado. Quando o proprietário percebe, o celular já foi usado para ligações internacionais e a conta, no final do mês, explode.
A chamada clonagem é um fato, mas a tecnologia já se encarregou de aumentar as dificuldades para que isso aconteça. Um aparelho digital, por exemplo, tem muito menos chances de ser clonado, concordam os técnicos. É praticamente impossível. Mas o analógico é bem mais vulnerável.
E, de acordo com o diretor de Marketing e Vendas da Global Telecom, Sávio Bloomfield, a tecnologia usada por cada uma das operadoras também faz diferença. No caso da Global, que utiliza o CDMA, a informação é enviada encriptada, ou seja, codificada, e não pode ser identificada, ao menos por enquanto. Não há notícia, em todo o mundo, de que isso tenha acontecido, afirma.
Para os usuários de outras operadoras, um conselho, vindo de quem entende. Não devem ser deixados em lugares onde possam ser pegos por alguns instantes ou emprestados para quem não se conhece, avisa Ari Laércio Boehme, gerente de vendas da Tim Celular. Em poucos minutos, um aparelho clandestino pode ler os códigos e o dano está feito.
Vírus O temível vírus, como nos computadores, não existe, no entanto. Sávio Bloomfield afirma tratar-se de um boato, difundido através da Internet, citando inclusive fontes da Motorola e da Nokia. Mas tudo foi desmentido. Não tem qualquer fundamento, garante, explicando que o aparelho celular, mesmo o digital, não é um computador que aceita comandos. O telefone só executa uma função, não é aberto a programas. É um sistema que transmite a voz em dados, e não se pode mexer em seu programa.
Mas, de qualquer forma, é bom estar atento para outros tipos de fraude. Uma, bastante comum, é a venda do telefone sem a devida transferência do nome do proprietário. Em muitos casos, quem compra e não transfere a propriedade, não paga a conta, alerta Ari Boehme. Para a operadora, o devedor é o dono do nome que aparece na conta.





