Crystal Fashion chega à 16ª edição inventando moda
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segunda-feira, 09 de abril de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Melhor ir preparado o figurino para não fazer feio na platéia dos desfiles da 16 edição do Crystal Fashion, que acontece entre os dias 23 e 28 de abril no Shopping Crystal Plaza, em Curitiba. Nesta edição serão apresentados os novos modelos da coleção outono-inverno de diversas marcas, como Croqui, Ellus, Triton, Calvin Klein, TNG, Cori e outras.
O evento goza de grande reconhecimento no universo da moda nacional. Mais de 46 mil pessoas passaram por ele durante os seis dias de desfile da sua última edição. A cada ano, a estrutura do Crystal Fashion fica maior. Através de sua rede de patrocinadores e parceiros, estima-se que o valor do evento fique próximo a R$ 3 milhões este ano.
De acordo com a gerente de marketing do Shopping Crystal Plaza, Lylian Vargas, responsável pela semana de moda, este ano o evento terá várias atrações complementares aos desfiles, como o lançamento do livro da apresentadora do programa GNT Fashion, Lilian Pacce, o desfile dos finalistas de um concurso de incentivo a jovens estilistas, o XI Fórum de Moda do Paraná, além de ações sociais em benefício do Hospital Pequeno Príncipe.
Mais de 600 profissionais estão envolvidos na produção do evento este ano. A decoração do espaço de 3 mil m2 no subsolo do shopping terá como tema botões gigantes e tesouras, que serão aplicados em holografias. ''Sempre achamos que o último evento foi o mais trabalhoso, até iniciarmos o próximo'', brinca Lylian, que concedeu uma entrevista à FOLHA DE LONDRINA sobre o Crystal Fashion.
FOLHA DE LONDRINA O que mudou no cenário da moda nestas 16 edições?
Lylian Vargas Algumas marcas deixaram de existir, outras fizeram uma complementação do que já existia com empresas novas e foram recriando segmentos, algumas delas se mantém durante este período todo e já são uma tradição dentro do calendário fashion. Houve um upgrade em todos os segmentos, principalemente na área fashion, e houve um fenômeno dentro de tudo isso, em que a estrutura da indústria de moda vem sofrendo uma pressão muito grande da indústria de tecidos, porque hoje, praticamente todo produto nacional vai pra China.
FOLHA Como o evento chegou ao patamar de investimento que ele tem hoje?
Lylian No início a gente não sabia que essa caixinha de relações do nosso público poderia estar neste formato. Aconteceu o seguinte, nos fomos crescendo nesta linha de investimentos, mas existe uma lei para tudo isso. Existem muitas parcerias, quase 80% do evento é feito de grandes parcerias, o restante é dinheiro aportado mesmo, que é o custo de execução de toda a infra-estrutura. Dentro desta situação de você ter uma parceria muito grande, o valor ficou em torno de R$ 3 milhões para este Crystal Fashion.
FOLHA O que o Crystal Fashion acrescentou à indústria da moda?
Lylian Na realidade veio tudo num crescendo, por exemplo, quando nós estavamos na 6 ou 7 edição percebemos que existia um interesse muito grande do mercado local, que ainda não sabia as datas do Crystal Fashion, para as pessoas poderem se inteirar do que significava moda e para adquirirem as peças. A diferença do Crystal Fashion, do São Paulo Fashion Week e do Rio Fashion é que aqui o que as pessoas vêem na passarela já tem na vitrine para comprar. Então a pessoa tem a identidade exata do que ela precisa estar usando. Isso ajudou muito. Nós fomos percebendo, na sequência, uma ordem, em que as pessoas queriam saber o que se usava e como se usava. Eles vinham ao Crystal Fashion para aprender isso.
FOLHA O evento já é uma referência para o Brasil?
Lylian Olhe, eu até sou modesta em dizer isto, mas quero deixar as coisas bem encaminhadas. Existem muitos shoppings no Brasil que fazem semanas de moda, mas o que nós ouvimos de todos os jornalistas e de todas as marcas que frequentam todos os eventos é que o Crystal Fashion está qualificado dentro de um patamar muito interessante, porque existe um profissionalismo muito grande, inclusive dos coordenadores dos horários dos desfiles, da programação. É tudo muito rigorosamente executado. E muitas vezes nesta área existem situações de atraso, enfim, coisas que não estão bem organizadas. A gente conseguiu esta referência nacional em função desta organização.
FOLHA Como lidar com imprevistos em um evento deste porte?
Lylian Hoje, esta palavra imprevisto a gente avalia de várias direções. Por exemplo, num dos eventos nós tinhamos no encerramento da noite um desfile, se não me engano da VR, com o Reynaldo Gianecchini em Curitiba. Este moço, por razões de Globo, ensaio e tudo mais, perdeu o último vôo pra cá. Nós tivemos que fazer milagres para conseguir fazer o desfile anterior acabar um pouco mais tarde para ele poder estar a tempo aqui na passarela. Mais ou menos umas onze horas ele chegou. Esses imprevistos ocorrem muito, eu já estou pensando - até com antecipação por causa deste nosso tráfego aéreo - o que é que vai acontecer neste. Então nós estamos fazendo um apelo às marcas e aos atores, atrizes e modelos que virão, que, por favor, antecipem os vôos pois se houver atrasos não irão comprometer o desfile.
FOLHA Na sua avaliação, qual foi o melhor momento do evento até hoje?
Lylian Foram tantos. Uma vez, veio uma marca que tem um trabalho dentro de uma ação social no Rio e em São Paulo. O dono da marca estava em Curitiba, na passarela, e, por coincidência, neste momento em um dos telões foi mostrado o trabalho dele na área social. Nunca imaginamos que aquele público, em torno de umas 1.500 pessoas, se empolgasse tanto que, ao invés de aplaudir o próprio desfile em si, aplaudiram o trabalho dele de ação social. São certas coisas que marcam e que a gente vai guardando.
FOLHA O que podemos esperar das próximas edições do Crystal Fashion?
Lylian Eu estou com a 17 (edição) pronta já. Ela vai ser do dia 15 ao dia 20 de outubro próximo. Ela está remetendo a um período de primavera/verão em que as marcas estarão com todas as coisas muito bonitas. A gente já tem essa reserva técnica praticamente pronta. Eu acho que essa coisa do calendário e esta pré-decisão de estar participando, não só das marcas como também dos patrocinadores, isto é um aval do evento. Isso é uma coisa que nos dá segurança de que realmente o evento vai com o progresso que lhe é de direito.
FOLHA Curitiba é fashion?
Lylian Tem aquelas pessoas tradicionais, que sempre se arrumaram muito bem, são fashion e tudo. Os da nova geração tiveram um momento de descontração, deixaram as coisas muito ligth e não se importavam muito com a coisa fashion. Mas nos últimos dois anos, esses jovens estão aprendendo que isto não é uma coisa ligada à vaidade, e sim à boa apresentação, abertura de um momento de trabalho pra eles. Então esta palavra fashion, hoje, está agregada a três setores. Um do fashion propriamente dito, outro ligado ao momento do dia-a-dia, até do trabalho, porque o fashion hoje não é simplesmente a palavra fashion, de estar dentro de uma passarela, e sim da pessoa estar pronta e preparada no momento em que ela precisa estar atuando. Hoje, eu acho que está sendo mentalizado na cabeça do frequentador de um evento como esse, algumas coisas como referência para determinados momentos. Então eu acho que este mundo fashion de repente está atraindo a visão deste consumidor.


