A campanha eleitoral de 2012 foi atípica em Londrina. A crise política ficou mais visível do que as propostas dos candidatos e, os prefeituráveis, por sua vez, discutiram muito sutilmente os problemas relacionados à ética e à corrupção em dezenas de debates promovidos por emissoras de rádio e televisão, entidades de classe e conselhos municipais.
A confusão começou quando um candidato considerado inelegível pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), que tenta a reeleição, participou da campanha e, caso eleito, não poderia assumir, entendem especialistas. A inelegibilidade é decorrente da cassação de seu mandato pela Câmara, em 30 de julho, por infração político-administrativa.
Porém, depois disso, com a chegada do vice-prefeito José Joaquim Ribeiro (sem partido) ao Executivo, a calmaria não prevaleceu no pleito. Uma investigação do Ministério Público (MP) revelou uma suposta quadrilha que teria desviado cerca de R$ 3,8 milhões da Prefeitura de Londrina por meio da compra de uniformes escolares. Ribeiro faria parte do grupo e até admitiu ter recebido R$ 150 mil de propina. Quando a informação se tornou pública, começou um movimento popular pela sua renúncia, o que só ocorreu em 20 de setembro, quando foi preso.
''O debate passou muito longe de pontos que pudessem trazer ao eleitor o histórico dos candidatos'', afirmou o professor de filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Clodomiro Bannwart. ''A maioria perdeu a oportunidade de discutir a crise e falar dos grupos políticos sempre sob o discurso de debater propostas'', criticou ele.
O professor lembra ainda que a crise política não foi a única. Durante o período eleitoral, revelou-se também uma crise administrativa. ''Assim, o candidato que for eleito não poderá usar o desconhecimento do rombo como desculpa para não cumprir suas promessas.''

Imagem ilustrativa da imagem Crise política deixou campanha em segundo plano
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