Crise na saúde só se cura com investimentos
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Discutir melhor a gestão plena como pólo Londrina recebe e trata centenas de pacientes de outros municípios e nem sempre recebe por isso , investir mais no atendimento de complexidade para amenizar as freqüentes crises dos hospitais e regularizar o atendimento básico na saúde. Este deve ser o rumo da área médica para Londrina nos próximos anos.
Para Faad Haddad, presidente do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Londrina (Sinheslor), sem investimentos não há como driblar a crise dos hospitais. Outra coisa que precisa ser discutida é a implantação da câmara de compensação para que o hospital que trata pacientes de outros municípios seja pago, temos que promover o livre trânsito de pessoas, afirma.
Haddad também defende uma maior integração de serviços públicos da rede. Alguns hospitais estão sobrecarregados e outros folgados, afirma. Ele também alerta que o setor precisa se preparar antecipadamente para uma nova realidade que já está se delineando agora.A população está envelhecendo, temos que nos preparar para enfrentar uma nova demanda, diz referindo-se à necessidade de ampliar os serviços de complexidade. Hoje, no setor primário, Londrina está prestes a chegar a um dígito de mortalidade infantil, um índice fantástico, mas no terciário ainda é necessário valorizar mais o profissional, remunerar melhor, observa.
Ampliar os hospitais municipais da Zona Norte (HZN) e Zona Sul (HZS) com serviço de urgência e emergência, é uma das metas de futuro apontadas pelo secretário de Saúde de Londrina, Sílvio Fernandes. Temos que pensar em criar um sistema não competitivo entre os hospitais, opina. No setor básico, o secretário aposta na ampliação do Programa Saúde da Família, hoje em 75% das moradias. Temos 80 mil pessoas em áreas de risco social, mas são necessárias mais equipes. Já fizemos a Policlínica, mas também é preciso aumentar a oferta de especialidades, resume.
Algumas dessas soluções já começaram a ser discutidas e implantadas. Há algumas semanas, Fernandes anunciou a intenção de municipalizar e aumentar os Hospitais Zona Norte e Zona Sul, hoje sob o controle do Governo do Estado. Junto com o anúncio, veio outro, da 17ªRegional de Saúde, do aumento do número de leitos das unidades, hoje com 41 e 31, respectivamente. Pelo projeto do governo do Estado, para ser implantado em 2005, cada um ficaria com 100 leitos. A ampliação dessas unidades é fundamental para desafogar os demais hospitais da cidade.
A Santa Casa de Londrina também está em processo de expansão. Depois de dois anos de negociação com o Ministério da Saúde, a irmandade conseguiu a liberação de R$ 8,5 milhões para a implantação de 180 novos leitos, destes, 40 são para UTI. A previsão é que as obras sejam entregues em 2006.
Mais investimentos também podem ser esperados no setor, já que o orçamento previsto para ano que vem será maior, passando de R$ 147 milhões para R$ 160 milhões.


