Crise e responsabilidades
O Brasil assiste, perplexo, ao noticiário alarmante sobre a falta de água em São Paulo e outros estados do Sudeste. A região mais rica do País volta a conviver com um contexto que parecia superado há décadas, ou limitado às regiões do semiárido nordestino, que é a escassez de água nas torneiras.
A rigor, porém, não falta água no Sudeste. Em que pese a redução das chuvas nos últimos anos, a cidade de São Paulo, por exemplo, é cortada por dois rios com vazões consideráveis, o Tietê e o Pinheiros. Ocorre que, por ação e omissão do homem, são rios que se tornaram imprestáveis para qualquer tipo de utilidade ligada ao lazer ou consumo humano.
Em Londrina e no Norte do Paraná, por ora vivemos cenário bastante diverso deste, em razão da boa disponibilidade de água e da menor concentração populacional do que a encontrada no eixo Rio-São Paulo. Os investimentos recentemente realizados no sistema de abastecimento de água praticamente dobraram o volume que pode ser disponibilizado à população.
Apesar disso, também vemos por aqui preocupante descaso com a qualidade das águas, como mostram os índices de contaminação de diversos rios e lagos. O sistema de coleta e tratamento de esgoto, se por um lado é destaque no país, fica bem abaixo dos padrões mundiais aceitáveis. Além disso, o mau hábito da população de descartar lixo irregularmente nas ruas também colabora com a poluição dos recursos hídricos durante os períodos de chuvas. É só perceber que lixo não nasce nos rios nem nas ruas para constatar a responsabilidade humana quando vemos grande quantidade de lixo em nossos córregos e fundos de vale.
Olhando para cá e para lá, vemos que a crise não é do meio ambiente, mas sim do homem. É ele a razão dos desequilíbrios e o elemento perturbador da natureza. É passada a hora de uma revisão de nossas ações e de estabelecer metas definitivas no que toca à melhoria da qualidade dos recursos hídricos.
É o mínimo que podemos fazer em respeito à natureza e à própria vida humana.
A todos, boa leitura!





