Crise do mate fomentou atividade oleira
Aos 17 anos e terminando o Ensino Médio, Marcos Afonso Zanon escreveu o texto "Umbará: gentes, vida e memória", publicado como número 72 do Boletim Informativo da Casa Romário Martins, de 1984. "Se hoje o Umbará é meio distante, naquela época era quase uma aventura pegar um ônibus e bater na porta da prefeitura para dizer que queria escrever um livro", recorda Marcos, hoje com
42 anos.
Ao entrar no Mestrado em Tecnologia, da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), então Cefet, Zanon pensou em estudar sobre a erva mate no Estado. Certo dia escutou dos moradores da região que as coisas não andavam boas, que estavam fechando muitas olarias do bairro em que ele nasceu e mora até hoje. Ele decidiu, então, mudar o foco de seu trabalho para o local, batizando a tese, mais tarde publicada em livro, de "Oleiros do Umbará - história e tecnologia (1935-2000)".
Não que não houve atividade oleira antes de 1935, mas como atividade econômica, aparece com força, segundo o historiador, na década em questão, devido a já citada crise do mate com a queda das exportações. Para o trabalho, iniciado em 1999, ele entrevistou 18 oleiros. "Você encontrava aqueles que entendiam a tecnologia como redentora e outros que a demonizavam, que viam nela como a responsável pelo aumento de produção e da quebra."
Para Zanon, não interessava apenas o câmbio de tecnologias, mas as histórias dessas pessoas e o registro da história oral, o que resultou em 191 páginas só de depoimentos. "Não era a olaria que estava mudando, era a vida das pessoas que estava dando uma guinada", diz.
O desenvol-vimento maior das olarias da região se dá na década de 1950, época em que "todo fundo de quintal tinha uma olaria", e está atrelado a outro ciclo importante: o do café. "Caminhões vinham do Norte do Estado para descarregar café em Paranaguá e, para não voltar vazios, tinham a possibilidade de voltar cheios de tijolos."
Enquanto Zanon encontrou placas de "Vende-se olaria", como registrou em uma fotografia, surpreendeu-se ao ver outras sendo começadas. "Quando você achava que tinha uma resposta para a realidade, ela era mais complexa do que você achava", diz. "E você se deparava com um cara com martelo e madeira montando uma olaria."
Ao compasso que alguns acreditam na teoria de que só grande vai sobressair, Zanon não tem dúvidas: o pequeno vai encontrar sua clientela - na crise, do final dos 1990, fecharam grandes e pequenas. Seu avô foi oleiro, profissão também exercida certa época por seu pai. Zanon dá aulas na escola do bairro e também em faculdades. O livro está à venda na papelaria Destak, na rua Luiz Nichele, 132, no Umbará. (R.U.)





