Crise atinge montadoras
As três montadoras automobilísticas que, entre os anos de 1995 e 96, decidiram se instalar no Paraná, aguardam com ansiedade uma retomada das vendas de carros no País para poder deslanchar seus projetos industriais. Chrysler, Renault e Volkswagen/Audi, empresas que colocaram o Paraná como o segundo pólo automotivo do País, estão produzindo para abastecer o mercado nacional e pretendem nos próximos meses iniciar as exportações. Mas todas olham com receio para o mercado brasileiro, que não dá sinais de melhora.
A Chrysler, que investiu US$ 315 milhões em sua planta industrial no município de Campo Largo, tem sido obrigada a adotar uma sequência de férias coletivas para desovar os estoques de carros das concessionárias. O último período em que a empresa ficou parada foi na segunda quinzena de abril.
A montadora Renault também enfrenta uma situação que não era esperada em 95, quando optou em investir no Brasil e escolheu São José dos Pinhais como município sede. Em 97, o setor chegou a projetar uma venda de 2 milhões de carros para o ano passado, mas o volume ficou em 1,4 milhão de unidades (carros nacionais e importados). Neste primeiro trimestre foram vendidos 233,4 mil carros. Se continuar neste ritmo não será alcançada a marca de um milhão de unidades vendidas.
Esperávamos uma outra situação, mas sabemos que esta crise vai passar e retomaremos as vendas com força, afirma o presidente da Renault no Mercosul, Luc-Alexandre Ménard, durante seminário sobre pólo automotivo, em Curitiba.
Para as montadoras, o importante é nacionalizar ao máximo a linha de produção para tentar baratear o custo de produção. A Volkswagen/Audi, que investiu quase US$ 800 milhões no Estado, espera atingir um índice de nacionalização de 60% para os carros Audi A3 e Novo Golf, até o final do próximo ano.
A nacionalização beneficia diretamente o pool de fornecedoras que se instalaram ao redor das três montadoras na Região Metropolitana de Curitiba. Somente as 38 fornecedoras de autopeças garantiram ao Estado um investimento de US$ 1,8 bilhão. As indústrias de componentes e fábricas de motores vão gerar 8,9 mil empregos diretos e 42 mil indiretos. A contratação de funcionários depende diretamente do reaquecimento do mercado.
Motores Junto com as montadoras, o Paraná recebeu a instalação de quatro fábricas de motores, que somam um investimento de US$ 765 milhões. O maior projeto para produzir motores é o da joint venture entre a Chrysler e a BMW, formando a Tritec, que injetou US$ 500 milhões para atender as duas montadoras. A última fábrica de motores que anunciou instalação no Paraná foi a Renault, com investimentos de US$ 120 milhões.
O segundo maior investimento em fábricas de motores é o da Detroit Diesel Motores do Brasil, que colocou US$ 130 milhões para fabricar 100 mil unidades ao ano. A Detroit também fornecerá motores para a Chrysler, garantindo o índice de nacionalização de 60% dos carros fabricados em Campo Largo.
A Volvo do Brasil também optou por implantar sua própria fábrica de motores, na unidade de Curitiba, deixando de lado a importação dos componentes. A primeira fábrica de motores para ônibus e caminhões fora da Suécia foi inaugurada na Cidade Industrial. O investimento foi de US$ 15 milhões para produzir motores para o caminhão FH-12.Arquivo FolhaEm casaLinha de montagem da Volvo para os caminhões FH-12, de Curitiba: primeira fábrica de motores fora da SuéciaCarmem Murara





