Administrar as contas de uma república com centenas de moradores não é tarefa fácil. Segundo o presidente da Casa do Estudante Universitário (CEU), Bohdan Metchko Filho, é a primeira vez em muitos anos que a casa está com as contas em dia. Nesta situação ela está apta a pleitear recursos públicos e privados valendo-se de seu status de fundação.
''Houve superavit, organizamos os balanços, os documentos e saímos do vermelho'', orgulha-se. Além da mensalidade cobrada dos estudantes, a CEU recebe ajuda financeira de ex-moradores. Outra fonte de recursos é o aluguel de alguns espaços, e a hospedagem de pessoas por até quatro noites, tudo gerenciado pelos próprios moradores. ''A casa é como uma cooperativa, tudo é debatido com os moradores e fiscalizado pelo Ministério Público'', compara Bodhan. Com essas fontes adicionais, um terço dos moradores - os mais carentes - ficam isentos de mensalidade.
Na Casa do Estudante Nipo-Brasileiro (Cenibra) a situação é parecida. Duas vezes por ano os moradores organizam um mutirão para produzir e vender Yakisoba (prato típico oriental) nos festivais étnicos japoneses. Cerca de 600 refeições são servidas em cada ocasião. É o principal evento para arrecadação de dinheiro da entidade, que se mantém com a mensalidade de R$ 120,00 dos 58 moradores.
Mas depender só da mensalidade dos estudantes pode se tornar um risco. Segundo o presidente da Casa do Estudante Luterano Universitário (Celu), Policiano Gomes, o principal problema da casa é a inadimplência dos moradores. Ele calcula que 30% dos estudantes estejam nesta situação. ''O problema é que o cálculo do orçamento é feito com a previsão de que todos paguem'', lamenta. Para tentar contornar o problema, a solução encontrada é reduzir as despesas da casa com água e luz. ''É muito rigoroso, temos que ficar no pé''. Quem esbanjar pode levar uma advertência, se somar três, pode ser expulso. (A.A.)

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