Responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias que permitiram levar a produtividade agropecuária brasileira a níveis extremamente competitivos, consolidando o País como maior produtor mundial de grãos, institutos de pesquisa e universidades localizadas em Londrina deparam-se com uma nova demanda na missão de manter o Brasil como grande fornecedor de produtos agropecuários para o mercado mundial. Diante das mudanças climáticas, como a atividade agrícola pode continuar viável em um cenário de mais calor e oferta desigual de água?
A resposta a essa questão é o foco atual dos pesquisadores da área que, concentrados em diferentes instituições no Município, produzem conhecimento para garantir produção sustentável tanto na esfera ambiental como também econômica e social. ''Londrina tem vocação para se tornar uma 'Agropólis''', analisa o pesquisador Luiz Gonzaga Vieira, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), referindo-se ao potencial da cidade de gerar ciência e tecnologia para dar suporte à produção agrícola e agroindustrial.
Empresa federal instalada no Município por conta do chamado ''clima de transição'', que mescla carcterísticas do Cerrado e de regiões subtropicais, a Embrapa Soja despertou para as mudanças impostas pelo aquecimento e desenvolve importante linha de pesquisa voltada para o desenvolvimento de cultivares cada vez mais tolerantes à seca. A investigação do comportamento das plantas em cenários de altas temperaturas, maior exposição ao gás carbônico e variabilidade na oferta hídrica completam os estudos.
''As mudanças climáticas impõem uma realidade onde a busca da produtividade a qualquer custo será substituída pelo desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis'', afirma o pesquisador José Renato Farias, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Soja, em Londrina, antecipando como devem ser encaminhadas as pesquisas num futuro próximo.
As previsões indicam aumento médio de 4 graus na temperatura até o final do século, com possibilidade de atingir 6,4 graus em algumas regiões. De acordo com Farias, a soja - que garante o saldo positivo da balança comercial brasileira - é uma das culturas mais afetadas pelo aquecimento. ''Nas condições de produção atuais, a área apta ao cultivo reduziria em 60%'', afirma, acrescentando que o maior risco de afetar a produtividade está na região Sul, em função da má distribuição das chuvas no verão.
De olho no futuro, a Embrapa está criando uma estrutura com experimentos para exposição das plantas a diferentes capacidades hídricas e concentrações de gás carbônico. Como as pesquisas estão em estágio inicial, ainda não há resultados concretos. No campo, entretanto, começam a aparecer equipamentos e tecnologias para investigação da resposta das plantas às mudanças da natureza.
Em testes de campo, bicos injetores disponibilizam quantidades diferentes de gás carbônico na lavoura, o que permitirá aos pesquisadores avaliar a reação de diferentes variedades a essa inevitável consequência da presença de poluentes na atmosfera.
Nas casas de vegetação, cultivares diversas estão sendo submetidas a condições controladas de temperatura, umidade e luminosidade. ''Nos distintos cenários climáticos projetados, simulamos o ambiente do futuro, com mais gás carbônico na atmosfera, maiores temperaturas e pior distribuição das chuvas'', explica Farias.

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