Crianças esperam chegada do Papai Noel
O pequeno Eric, de apenas 5 anos, já sabe o que quer ganhar no Natal. ''Muitos carrinhos''. ''Papai Noel é legal e ele até sabe o meu nome. Ele vai me dar, sim'', afirma o garoto, que estuda na Creche Nossa Senhora do Carmo, uma das instituições que receberá a visita do Papai Noel do Comitê de Solidariedade da Sercomtel.
A creche atende a outras 108 crianças de bairros carentes da Zona Sul de Londrina e enfrenta uma grave crise financeira. Sofrendo com uma intervenção municipal desde 2001, a unidade deve cerca de R$ 90 mil para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
A mantenedora é a Associação de Moradores do Jardim Ouro Branco, mas a principal fonte de recursos é a prefeitura, que repassa R$ 6 mil mensais. ''Dois terços desse valor são imediatamente devolvidos somente para o pagamento dos juros da nossa dívida. Se ela não existisse, esse dinheiro poderia ser reinvestido na reforma da escola'', explica o diretor administrativo da creche, João Natal Biz.
A realidade da Creche Nossa Senhora do Carmo não é muito diferente das famílias que são atendidas pela unidade. Segundo o diretor, pelo menos 30% das crianças vivem somente com a mãe ou com o pai, um indício forte da falta de referências familiares. ''Você está ouvindo esses choros?'', pergunta Biz à reportagem, durante a visita à creche. ''Pode ter certeza que são de crianças reclamando da falta do pai ou da mãe'', conta ele.
Eric é uma destas crianças. Viu a separação dos pais e hoje, conta com a visita do Papai Noel no Natal. ''Faz bem para a auto-estima'', conta Biz, respaldado pelo próprio garoto. ''Quando eu falei com o Papai Noel no shopping, ele me deu uma bala e disse que ia guardar o meu nome. Eu vou bem na escola e ele me disse que isso era bom pra mim'', lembra.
As experiências duras, no entanto, também têm boa serventia. Conrado Rodrigues da Silva, filho de um dos funcionários do Comitê da Sercomtel, é um claro exemplo disso. O adolescente de 14 anos tinha apenas 9 quando começou a ajudar o Papai Noel a entregar presentes em creches da cidade.
Ele conta o que aprendeu com as visitas. ''Uma vez eu pedi um videogame para minha mãe, mas ela disse que não poderia me dar. Fiquei muito irritado. O tempo passou e, quando ajudei o Papai Noel, vi que muitas crianças esperavam muito mais tempo do que eu espero para ganhar presentes simples. E, ainda assim, elas ficavam contentes. Depois disso, disse para a minha mãe que eu poderia esperar o tempo que fosse necessário para ter o meu presente'', recorda.(A.M.)





