A arte feita de acrobacias, contorcionismo e demonstrações de domínio do equilíbrio, que teve início há 5 mil anos na China como um conjunto de exercícios de treinamento para guerreiros, passou por celebração de boas-vindas a estrangeiros recém-chegados, para depois transformar-se em manifestação cultural itinerante passada de pai para filho no mundo todo, é agora praticada por crianças instigadas pelo desafio de superar os próprios limites. Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, por exemplo, oficinas de circo atraem praticantes ávidos por aprender a arte milenar e universal.
As aulas são ministradas por Clesio Paes, que desde os 9 anos de idade já praticava malabarismos e acrobacias em família. Também conhecido por seu personagem, o palhaço Pirulito, Paes conta que nasceu sob a lona, há 42 anos. ''Minha mãe casou com o palhaço e foi embora com o circo. Até hoje ela mora no ônibus que era do circo e não se acostuma a morar numa casa'', explica. Desde 2001, o palhaço Pirulito ensina o que aprendeu em anos de estrada a crianças e adolescentes de Araucária no projeto Oficina de Circo, coordenado pela secretaria de Cultura e Turismo do município, através do Teatro da Praça.
As oficinas são realizadas três vezes por semana. Às terças-feiras, na Aldeia da Solidariedade, dentro do Parque Cachoeira, às quartas-feiras a oficina passa por diferentes bairros da cidade, e às quintas-feiras as aulas acontecem no Caic, no Jardim Industrial. ''A gente está batalhando para futuramente ter um circo da cidade. Isso vai causar um grande impacto aqui. Tem bastante criança que quer participar mas tem dificuldade para se deslocar, não pode gastar com transporte'', justifica Paes.
Um dos alunos mais dedicados, segundo o instrutor, é Guilherme Antonio Neri, 10 anos. Depois de ver o irmão dominando os malabares, Guilherme decidiu aprender também. ''Achei legal e entrei no curso. Não sabia fazer nada antes. Vi que era legal, continuei fazendo e não parei mais. Agora faço tudo'', afirma confiante.
O pai de Guilherme também gostou, segundo o aprendiz. ''Ele achou legal, disse que era bom porque eu não ficava na rua'', diz o menino. No que depender de Guilherme ele continua frequentando a oficina ''até quando puder''.
Em geral, os alunos que concluem o curso e se identificam com a cultura circense continuam participando das apresentações da Oficina de Circo, de acordo com Paes. ''Eu creio que o Guilherme vai até os 18 anos com a gente'', projeta o professor.
Em Curitiba, a companhia TripCirco também ensina a crianças e adultos a arte circense. A escola criada há dois anos funcionou durante o primeiro ano no bairro Rebouças e agora está no Cabral. Segundo a professora da escola, Camila Mara Cequinel, 80% dos alunos frequentam as aulas em busca de lazer. ''No começo foi difícil, as pessoas achavam que as oficinas eram só para quem quer trabalhar em circo ou fazer malabares no sinal (de trânsito). Agora está mudando, já vêem que é uma atividade física, que estão aprendendo uma coisa diferente de forma divertida.''

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