No lugar onde a liberdade ainda não foi trancafiada na gaiola, a criançada brinca solta. Sem computador ou controle remoto, os pequenos se transformam em bravos cavaleiros, corajosos desbravadores, heróis em miniatura que copiam nos gestos ou com objetos o cotidiano dos adultos.
A família de Eliana Ramos Padilha e César Augusto cresce durante os períodos de férias escolares. É que além dos dois filhos do casal, Lucas, 6 anos, e Maurício, 4, as sobrinhas Liliana, 9, Poliana, 6, e Paola, 3, aportam na pequena propriedade do Distrito de Rio da Barra e a transformam em campo fértil para brincadeiras. Atazanam a vida do cavalo, refrescam-se nas águas das cachoeiras da região. Passam os dias com mil idéias na cabeça, correndo atrás das galinhas, perus, cães, vacas e outros animais. Lambuzam-se com a terra fértil da região.
''Prefiro aqui do que na cidade, é um lugar melhor para educar os filhos'', garante Eliana, com a competência de quem se formou em Pedagogia. Longe das salas de aula, é ela quem ''toca'' a propriedade enquanto o marido acorda cedo para ir trabalhar em Marquinho como técnico agrícola. Não se incomoda: ''gosto dessa vida''.
Na cidade, as brincadeiras não são lá tão diferentes. Apaixonado por rodeios, Lucas, 9, passa os dias laçando touros ''bravíssimos'' no quintal. Pelo menos é o que imagina. Montado no ''alasão'' da família, o menino enverga o laço como poucos e o lança na estrutura de madeira imóvel.
''A gente tem um medinho porque ele já caiu uma vez'', confessa a mãe, a dona de casa Nilce Kubiaki de Abreu. Quem alimenta o sonho do garoto é o pai, o comerciante Sidney de Abreu, 37, que acompanha o futuro peão pelas festas da região. (L.A.)

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