CRIANÇA FELIZ - Brincar é essencial para a garotada
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domingo, 12 de novembro de 2006
Fabiana Caso<br> Agência Estado 
Escola bilíngue, judô, natação, balé, música, altas expectativas dos adultos e quase nenhum momento para respirar. Parece agenda de gente grande, mas essa grade de compromissos corresponde à rotina de muitas crianças - algumas de apenas 2 anos de idade. Na ânsia de preparar bem os filhos para o mundo competitivo, muitos pais apressam o processo de aprendizado. Por outro lado, na contramão dessa precocidade incentivada pela sociedade, há famílias que valorizam a infância dos filhos.
Dizem os especialistas: é por meio das brincadeiras que as crianças - especialmente as menores - elaboram os conhecimentos e até expressam suas emoções. A educadora e psicopedagoga Silvia Amaral, do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD), diz que, até os 6 anos, estar matriculado em uma boa escola é mais do que suficiente. Tempo livre é imperativo nessa fase. ''Tudo que aprendem é vivenciado através da brincadeira. É nessa hora que a criança pode fantasiar, criar, expor sua personalidade e até colocar emoções para fora.''
Hoje em dia, a precocidade se manifesta também no vestuário: algumas meninas, sobretudo, são produzidas de forma empetecada, como mulheres, e acabam assimilando dramas das adultas. ''Observamos que estão aumentando os casos de ansiedade, depressão e transtornos alimentares nas crianças'', frisa Silvia.
A consequência: cansaço físico e mental. A criança também pode perder o sono e o apetite - hoje, há muitos casos de bulimia infantil. Qual seria, então, a medida certa para preparar os filhos para o mundo competitivo que encontrarão pela frente? Para Sílvia, é importante oferecer estimulação em um idioma, em um esporte e na música.
A nutricionista e psicóloga Marisa da Costa Cervi Rivaldo, de 38 anos, é um exemplo de mãe que preza pelo tempo lúdico da sua prole. Abdicou do emprego em uma grande empresa para se dedicar à profissão de mãe em tempo integral. Ela e o marido mudaram-se, há cinco anos, para um condomínio arborizado com os filhos Mariana, de 10 anos, Beatriz, de 6, e Henrique, de 4.
Hoje, ela atende em domicílio, como nutricionista, mantendo um horário flexível, o que a permite estar sempre por perto. ''Sou contra as escolas em período integral. A criança precisa de tempo, porque aprende brincando'', defende.
Os horários da brincadeira e relax são sagrados. O caçula Henrique quer ser matriculado em um curso de futebol, mas ainda gosta de dormir à tarde. ''Ele só vai para essas aulas quando não precisar mais desse cochilo.''
No próprio condomínio, os três fazem natação. Beatriz também tem aulas de circo e música, porque mostrou interesse. Só a mais velha, Mariana, é que faz mais cursos: inglês, balé e música. ''Na idade dela, já cabem mais atividades intelectuais'', justifica a mãe.


