As manhãs para a família do funcionário público Alcides de Oliveira começam sempre da forma mais agradável possível. O despertador é uma sinfonia de cantos de pássaros das mais diversas espécies, que formam uma coleção das mais variadas espécies, abrigadas em gaiolas e viveiros no quintal da chácara no bucólico Patrimônio Regina, na Zona Sul de Londrina.
  Mais do que um hobby ou passatempo, a criação de pássaros é uma paixão de Oliveira. São dezenas de exemplares de canário, trinca-ferro, azulão, sabiá-laranjeira, tico-tico. ‘‘Nem sei quantos passarinhos tenho mas, se tirar um daqui, eu já percebo’’, garante. Além de dedicar a maior parte do tempo livre aos passarinhos, ele mostra-se como um paradigma do criador atual. Ou pelo menos um exemplo a ser seguido. A preocupação ambiental e a consciência ecológica norteiam a atividade do criador.
  A iniciativa dele proporcionou resultados para a região do Regina. Um exemplo é o repovoamento da rolinha fogo-apagou. Praticamente extinta na região, Oliveira conseguiu a reprodução em cativeiro da fogo-apagou, cujo nome é inspirado no canto da ave. Os exemplares foram soltos na natureza e hoje, em torno de dez a doze rolinhas do tipo circulam livremente pela área, fazendo ‘‘visitas’’ constantes ao quintal de Oliveira.
  Ele é um dos cerca de 500 criadores registrados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na região. Ele não comercializa as aves, que, segundo ele, não têm preço. Também não participa de exposições e concursos. Os cuidados com a criação são ‘‘apenas’’ uma paixão.
  A chefe do escritório regional do Ibama, Neusa Maria Emídio, explicou que o criador que queira retirar animais da natureza precisa apresentar um projeto ao órgão para obter autorização especial. A exigência também se aplica para quem pretende soltar as espécies na natureza. ‘‘É avaliado se a espécie adapta-se bem ao habitat da região’’, explica Neusa.
  Promulgada em 1998, a Lei de Crimes Ambientais tornou mais rígida a punição, imputando penas criminais. A apreensão irregular é punida com multa de prisão, que varia de seis meses a cinco anos, e multa de R$ 500 por animal. Outra mudança no trabalho de fiscalização foi a substituição da anilha aberta pela fechada. O anel de alumínio colocado na pata das aves traz as informações básicas sobre o animal, como o nome científico e da espécie, sexo e data de nascimento. A anilha fechada somente é possível de colocar em filhotes, o que evita que seja implantada em animais adultos retirados irregularmente da natureza.
  A consciência ambiental de hoje é muito diferente da infância no Distrito de São Luiz (Zona Leste). Como a maioria dos garotos da época, uma das principais diversões era caçar passarinho de estilingue. ‘‘Acho que diminuiu muito por isso’’, constata. ‘‘Hoje tenho a convicção de que é importante conservar.’’ Atualmente, repreende os meninos que caçam espécies raras de aves nos arredores do Patrimônio Regina.

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