Heinrich Hellbrugge é graduado e doutorado em Engenharia Metalúrgica na Alemanha, seu país de origem, e mantém uma rotina que combina seus conhecimentos em tecnologia com a paixão pela agricultura e pecuária. Ele está radicado no Brasil e administra 1.200 alqueires em propriedades em Rolândia, onde mora, e outros municípios da região, nas quais cria gado e produz soja, milho e aveia. Ontem, no nono dia da ExpoLondrina 2016, ele visitou o Parque Ney Braga para conferir novidades do setor.

Nos últimos quatro anos, trabalhou duro no desenvolvimento de um novo tipo de colhedora de cana, menor, mais econômica e compatível com terrenos acidentados. A máquina está pronta e segue para a fase de parcerias para produção. Um detalhe importante: Heinrich Hellbrügge tem 101 anos.

Nascido em Bochum em 10 de janeiro de 1915, no estado alemão da Renânia do Norte – Vestfália, ele vive no Brasil há 50 anos. Atuou algumas das maiores empresas do setor metalúrgico no mundo, como a alemã Thyssenkrupp, e no Brasil foi diretor da Belgo Mineira, Aços Villares e da Acesita. Aposentou-se como executivo do setor quando completou 60 e desde então se dedica às propriedades rurais e às suas inovações.

Quem tem a oportunidade de conversar com ele, mesmo que rapidamente, logo percebe que Hellbrügge, apesar da audição reduzida e às vezes misturar o português e o alemão numa mesma frase, ainda pensa como um autêntico engenheiro germânico. A capacidade de analisar questões práticas e identificar soluções no universo que ele domina tão bem continua intacta.

Hellbrügge, na ExpoLondrina 2016: plano é ampliar sua área de produção em 300 alqueires dentro de um ano
Hellbrügge, na ExpoLondrina 2016: plano é ampliar sua área de produção em 300 alqueires dentro de um ano | Foto: Fabio Alcover



A colhedora de cana de açúcar é resultado da necessidade que ele identificou de máquinas que fossem menores, mais ágeis e que consumissem menos, além de serem mais leves e que não provocassem a compactação do solo. Como especialista em metalurgia, criou seu próprio padrão de colhedora, que opera com motor de 150 cavalos e tem consumo de 12 litros de diesel por hora.

O modelo traz inovações como a dispensa da queima da cana antes da colheita. A máquina corta a planta na base e recolhe todo o material. O que não for utilizado na produção de etanol ou açúcar segue para ser usado como combustível nas caldeiras. "Não se desperdiça tanta energia descartando tudo no solo", diz ele.

Hellbrügge já criou também equipamentos como uma plantadeira e soluções como o uso de gás carbônico para erradicar o caruncho nos silos de milho, problema que enfrentou em sua propriedade. Também passou a utilizar apenas mourões de concreto em suas propriedades. Ele mesmo produz as peças na fazenda.

Sua maior criação, porém, está consolidada hoje no mundo todo como padrão em 75% das linhas de produção de aço. Ainda na Alemanha, nos primeiros anos do pós-guerra, ele começou a testar o uso da injeção de oxigênio dentro da massa líquida de ferro fundido. A inovação torna o processo mais rápido e econômico.

O sucesso da iniciativa levou o jovem engenheiro a trabalhar na Suíça, onde aprimorou sua criação, hoje utilizada em todo o mundo e conhecida como "conversão a oxigênio".

Ao final da conversa, avisou que tem planos para continuar ampliando suas atividades como produtor agrícola. Quando começou na atividade, há 40 anos, comprou sua primeira área em Rolândia, com 50 alqueires. Hoje, são 1.200 alqueires somados e, dentro de um ano, ele pretende adquirir mais 300 alqueires. "Os recursos já estão reservados", diz.

Hellbrügge não pensa em parar, nunca.

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