Crescimento, maturidade e felicidade pós-separação
Dividir o mesmo lar por 17 anos, constituir uma família e de repente, lidar com uma separação que durou dois meses. Muitos poderiam ter sido os motivos que um dia levaram a dona-de-casa Angela (nome fictício), 40 anos, e o funcionário público Carlos (também nome fictício), 45, a se separarem, mas como eles mesmos afirmam hoje, a falta de diálogo e de compreensão foi o que colocou em risco o casamento dos dois.
Angela e Carlos namoraram por sete anos. Eles contam que sempre existiu companheirismo, mas nem sempre havia diálogo. ''Quando casamos, cometemos um erro em ser mãe 24 horas por dia e deixar de ser amante. Esquecemos o lado afetivo, nos carregamos de tarefas e as conversas acabam ficando cada vez mais de lado'', diz a dona-de-casa.
Angela acreditava que poderia poupar o marido o impedindo de se envolver com os problemas da casa. Ela pensava assim porque Carlos trabalhava muito e passava poucos momentos junto da família. Com o tempo cada um passou a viver isoladamente, como estranhos. Deixavam passar situações da relação que consideravam importantes, e que até queriam discutir, mas que a frieza consolidada dentro do lar não permitia.
O casal teve três filhas e ainda assim não conseguia manter um clima de união no lar. Carlos lembra que Angela o chamava para ir na missa aos domingos, mas ele não a acompanhava, então, ela ia sozinha com as crianças.
Um dia a separação foi inevitável. Carlos saiu de casa e permaneceu por dois meses morando longe das filhas. Segundo Angela, a separação gerou muito sofrimento para toda a família. ''Para mim não tinha retorno. Fui procurá-lo para dizer que queria o divórcio. Fiz terapia porque não era só a minha vida que estava envolvida, mas também a vida das minhas filhas'', comenta Angela.
Meses de terapia ajudaram Angela, e Carlos decidiu voltar para casa, pedindo à Angela uma nova chance. Para lidar com o ressentimento, a falta de confiança e toda a mágoa causada pela separação, o casal passou a adotar comportamentos completamente diferentes dos que eles estavam habituados.
''Resgatamos o namoro, participamos mais da vida a dois e principalmente, além do diálogo, exercitamos nossa compreensão e companheirismo diariamente. Quando vejo que a gente começa a ficar um pouco distante um do outro, chamo ele, converso e assim ganhamos um crescimento e uma maturidade muito grande'', conta Angela.
Hoje, além de passeios ao shopping e pizzarias, Carlos acompanha a mulher à missa todos os domingos. ''Passamos a participar do grupo de casais da igreja e hoje a minha participação nas atividades da casa é fundamental'', ressalta Carlos.
Para Angela, a terapia foi o que mais a ajudou e apesar do sofrimento, ela acredita que o relacionamento do casal é hoje mais verdadeiro e feliz. ''A terapia funcionou como uma luz e a minha mudança de comportantmento afetou na vida dele. Tem uma frase que diz, 'se houve cicatrizes é porque houve um bom combate'. Evoluímos e hoje estamos felizes''.(F.B.)





