Crescer sem ordem preocupa vereador
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Cláudio Osti 
Uma das primeiras coisas que passam pela cabeça do presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Adalberto Pereira da Silva (PFL) quando se fala em Londrina na virada do século é receio do crescimento desordenado da cidade. Para ele, é preciso que o governo estadual faça investimentos na região para evitar a inviabilização de Londrina.
Esses investimentos são necessários para que os moradores dessas cidades possam encontrar trabalho e viver em seus municípios. O que estamos vendo hoje é que, com a vinda de indústrias para cá, também estão vindo pessoas de todos os lugares, sem qualificação profissional, que acabam inchando as favelas e aumentando o problema social. É só ver o número de invasões de terrenos por família de sem-teto por toda a cidade. O cara está lá na barranca do Rio Tibagi, desempregado, fica sabendo que aqui em Londrina muitas indústrias estão chegando, e vem para cá com a família tentar a vida. Nessas invasões de terrenos, pelo menos 70% das pessoas vieram de outros lugares. E como não há trabalho suficiente para todos já se sabe o que acontece. O cara, morando debaixo da ponte, num barraco, sem ter como sustentar a família, sem perspectiva, começa a delinquir, roubar, usar drogas. A cidade crescer é uma coisa, inchar é outra, diz o vereador.
Outro ponto essencial para que Londrina mantenha a qualidade de vida de seus moradores, conforme Adalberto, é investir em transporte coletivo. Com o trânsito da cidade recebendo perto de mil novos veículos por mês, ele pressente que em pouco tempo as ruas vão se transformar num caos pelo simples fato de que não há espaço para tanto carro. Ele afirma que sempre que precisa usar o próprio carro para ir a uma solenidade ou a um evento e até mesmo para passear, tem pensado duas vezes. A solução encontrada é andar de táxi. Imagine uma solenidade no centro da cidade ou mesmo num clube. Você chega, não consegue encontrar lugar para estacionar e ainda corre o perigo de ter o carro amassado ou riscado. Prefiro ir de táxi, o preço é um pouco maior mas fico despreocupado.
Segundo ele, o transporte coletivo precisa oferecer serviços diferenciados para atender melhor o público e conquistar mais usuários. Ele entende que, quanto mais pessoas usarem o transporte coletivo, menos carros estarão nas ruas. A consequência é um trânsito mais tranquilo.
Vereador no segundo mandato e há dois anos presidente da Câmara, ele não foge do assunto quando o tema é política. Londrina, que já fez três governadores - Hosken de Novaes, José Richa e Álvaro Dias - e pela segunda vez elegeu a vice-governadora Emília Belinati, na opinião dele já não tem a mesma força política que antes. É só ver quantos deputados estaduais elegemos na última eleição. Apenas dois - Moysés Leônidas (PDT) e Antonio Carlos Belinati (PSB). Enquanto nós não fizermos um trabalho de conscientização para que o londrinense vote nos candidatos daqui não voltaremos a ter poder político condizente com o porte da cidade. Hoje os votos de Londrina elegem gente de várias regiões, por isso sou favorável ao voto distrital. Só com ele é que as regiões vão poder ter representação política de acordo com o tamanho de sua população, analisa Adalberto.


