Crescer com os vizinhos
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sábado, 28 de março de 1998
Guilherme Pupo 
Marcelo AlmeidaLuiz Hayakawa, presidente da Comec: transformação dos municípios vizinhos em distritos industriais evitaria inchaço da capitalOs 305 anos de Curitiba não devem ser lembrados apenas pelos seus 1,5 milhão de habitantes, mas também por muita gente que vem dos municípios vizinhos, passa a maior parte do dia na cidade em busca de trabalho e só volta para casa à noite.
Hoje, já não é possível pensar na capital paranaense de maneira isolada, sem considerar a influência das cidades fronteiriças no futuro da metrópole. Não é por acaso que o próprio prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, também assumiu a presidência da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec) e estipulou como uma de suas principais metas a integração da cidade com os 24 municípios vizinhos.
A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) foi idealizada por Jaime Lerner há 30 anos e criada oficialmente em 1974 por lei federal. Hoje, a Grande Curitiba reúne 2,4 milhões de habitantes. Só nos trajetos de ônibus entre a RMC e a capital circulam diariamente 230 mil pessoas.
De 1991 a 1996, o crescimento populacional na região metropolitana foi de 3,40% ao ano, mais do que o dobro das dez principais regiões brasileiras, que tiveram uma média de 1,53%. Segundo dados do censo populacional de 1991, a região apresentou a terceira mais alta taxa de crescimento no período 80/91 entre as nove regiões metropolitanas do País.
Com essa explosão demográfica, os municípios passaram a ter dificuldades de atender às necessidades de infra-estrutura e serviços sociais da população. O desemprego também surge como um dos grandes vilões. A última Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada pelo Ipardes em outubro de 97, apontava uma taxa de desemprego de 14,1% na RMC.
Outra consequência do crescimento acelerado é a ocupação desordenada de terrenos, muitas vezes dentro de áreas de preservação ambiental (APA). Segundo o último levantamento divulgado pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), há cerca de 10 mil lotes invadidos na RMC.
Estamos trabalhando com os municípios mais afetados, como Pinhais e Piraquara, para conscientizar os prefeitos sobre a importância da preservação das áreas de proteção ambiental. Além de dificultar a urbanização, as invasões prejudicam a arrecadação, já que os municípios podem perder o ICMS ecológico no caso de ocupação de APAs, disse o presidente da Comec, Luiz Hayakawa.
Mas, o que fazer para evitar o inchaço na capital e o crescimento de bolsões de pobreza na periferia? A saída está sendo a busca do desenvolvimento econômico dos municípios, com a atração de grandes indústrias e a implantação de uma rede de comércio e serviços.
A meta é ambiciosa: chegar ao ano 2000 como a primeira região metropolitana do Brasil em qualidade de vida e a segunda em renda, depois da Grande São Paulo. Hoje, a RMC conta com um parque de 9,5 mil pequenas, médias e grandes indústrias que empregam cerca de 150 mil trabalhadores. As montadoras de automóveis Renault, Audi e Chrysler já iniciaram suas obras e devem entrar em operação até o final do próximo ano.
Criação de
distritos
industriais
pode ser
solução


