Cresce procura por projetos de reutilização
Em março de 2007 foi regulamentada a lei municipal 10.785, que aborda um programa de conservação de uso racional da água em edificações. Isso aumentou a procura por projetos que utilizem sistemas eficazes de economia. A lei prevê o uso de água da chuva, armazenada em cisternas, para regar jardins e hortas, lavagens de roupa, veículos, vidros, calçadas e pisos. A legislação enfoca principalmente grandes empreendimentos, mas até quem constrói individualmente já se preocupa com o assunto.
O uso de águas pluviais pode representar uma economia de 30% nas contas de água. É o que diz o diretor de incorporação do Grupo LN, construtora de Curitiba, Vinícius Antonietto. Dois projetos de edifícios da empresa possuem sistemas de reciclagem da água.
De acordo com o engenheiro civil José Luis Campanholo, diretor técnico da construtora J.A. Baggio, em uma residência de 250 metros quadrados, instalar um sistema de calhas, mais armazenamento e filtragem primária para uso externo, acrescenta cerca de 6% a 8% no custo final da obra, valores depois compensados com a economia nas contas de água.
''O poder público está muito preocupado com o consumo de água e cria legislações específicas com responsabilidades do cliente, do técnico do projeto e do responsável pela execução'', explica Campanholo.
A J.A. Baggio trabalha com construções de casas e consultórios, em que o uso de reciclagem de água não é obrigatório. Em 2006, 11 clientes solicitaram projetos que tivessem reutilização de água pluvial. No ano seguinte foram 29 solicitações. Em 2008, de janeiro a abril, foram 26 projetos. Um crescimento de quase 150%.
Na Sepac, empresa de papel higiênico e guardanapos que possui fábrica em Mallet (44 km ao norte de União da Vitória), a reutilização de água varia entre 85% e 90% na produção dos papéis. Apenas 10% do volume consumido é devolvido ao rio, depois de passar por um sistema de tratamento microbiológico. A Sepac retira do rio aproximadamente 100 metros cúbicos de água por hora, e devolve 85 metros cúbicos.
''Por passar pelo processo de tratamento, devolvemos a água melhor do que quando captamos'', conta o gerente geral da empresa, Renato Tyski Zapszalka. A parte da água que não volta para o rio é utilizada nas caldeiras que geram o vapor necessário para secar o papel. Quando o líquido é colocado nas caldeiras, ele já chega quente, o que também economiza lenha no aquecimento.
De bem com a natureza
Atualmente, todos os projetos residenciais realizados pelo arquiteto Eduardo Mourão possuem soluções para aproveitamento da água, com o objetivo de minimizar custos e preservar o meio ambiente. ''Aproveitar a água da chuva é útil para irrigar jardins, lavar pisos e veículos, descargas sanitárias e processos industriais como o resfriamento de máquinas'', opina Mourão.
O arquiteto também explica que utilizar água pluvial ajuda a preservar os mananciais de abastecimento, reduz a incidência de enchentes e favorece a recarga do lençol freático. (D.C.)





