A cada ano, milhares de brasileiros saem do País em busca de melhores oportunidades em solo estrangeiro. A estimativa do Itamaraty é que, mais de dois milhões de brasileiros que estão no exterior remetam para o Brasil cerca de US$ 3 bilhões por ano, o equivalente a R$ 7,5 bilhões. Mas, nem todos têm a mesma sorte e, sequer, conseguem passar mais de algumas horas em outro país. Hoje, os países mais procurados são EUA, Portugal, Japão e Paraguai.
Há dois meses, o paranaense, encarregado industrial, Paulo César Arvelino, 25 anos, morador de Cambé (13 km a oeste de Londrina), juntou-se a outros dois amigos e resolveu viajar para a Nova Zelândia, na Oceania. Mas depois de um investimento de R$ 9 mil, os três rapazes foram deportados assim que desceram no aeroporto de Auckland, no país de destino. Eles não passaram pela imigração.
Em 2001, Arvelino já pensava em sair do Brasil. ''Eu estava estudando as maneiras de entrar nos Estados Unidos, mas depois do atentado de 11 de setembro, a fiscalização ficou mais intensa e eu desisti'', relembra. Apesar disso e de passar pela experiência de uma deportação, ele ainda acredita que só terá condições de crescer fora do Brasil.
Dados do Departamento de Segurança Interna dos EUA mostram que o número de pessoas que tentam entrar ilegalmente no país pela fronteira do México duplicou nos últimos anos. De novembro de 2003 a outubro de 2004, mais de oito mil brasileiros foram presos na fronteira do México. De outubro do ano passado até o último mês de abril o número já ultrapassou 18 mil pessoas. A estimativa é de que a comunidade brasileira em solo americano chegue hoje a 1,3 milhão de pessoas, entre imigrantes legais e ilegais.
Formalmente, os emigrantes brasileiros são apenas 1,8 milhão, pouco mais da metade da estimativa total do Itamaraty. O empecilho para ter dados reais é que nem todos comunicam voluntariamente às embaixadas e consulados sua localização, o que também impossibilita o cálculo de quantos emigrantes são deportados anualmente para o Brasil.
Mesmo com os perigos da deportação, há quatro anos uma dona de casa de Apucarana tentou entrar nos EUA com seus dois filhos, mas foi barrada no Aeroporto de Orlando. O motivo alegado pelos policiais norte-americanos foi que o visto dela e dos filhos eram falsos. O marido da apucaranense vivia ilegalmente nos EUA desde 1995 e ela tinha tentado tirar o visto duas vezes, mas o consulado negou. Foi então que decidiu pagar para um rapaz conseguir a autorização para ela.
Para conseguir o tão esperado documento, a mulher iria pagar cerca de R$ 20 mil na época. ''Não desconfiei, porque ninguém faria nada de graça e eu já tinha gastado muito nas outras vezes que tentei tirar o visto legalmente'', declara. Maria ficou apenas 40 minutos nos EUA e foi deportada, uma experiência que só não foi mais traumática porque ela conseguiu recuperar todo o dinheiro que tinha pago para o desconhecido.
Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, o fluxo de emigrantes brasileiros para outros países, especialmente para os EUA, teve início na década de 80 devido às crises econômicas do Brasil. Porém, hoje este movimento apresenta características diferentes, como a pré-existência de um vínculo com o país. Os representantes do governo brasileiro acreditam que muitos dos emigrantes vão atrás de amigos que tiveram sucesso fora do país.
Foi o que aconteceu com o londrinense Vagner Arantes da Silva, 26 anos, que está há um ano e meio em Portugal. ''Em abril de 2003 fui para a Inglaterra porque um amigo meu conhecia uma pessoa lá que ficou de arrumar emprego para nós'', conta. Mas depois de 10 meses no Reino Unido, Vagner foi abordado na esquina de sua casa em Peterborough, próximo a Londres, por policiais que constataram que ele estava ilegal e decidiram deportá-lo.
De volta ao Brasil, Silva não demorou muito para tentar entrar novamente na Inglaterra. ''Minha mãe não queria, mas em dois meses voltei para a Europa.'' Ele foi para França, mas no meio do caminho a imigração britânica já o mandou de volta a Paris. Depois disso ele decidiu ir morar com um primo em Portugal. ''Fiquei dois meses sem emprego, mas agora está tudo bem''. O londrinense levou a ex-namorada junto e hoje tem uma filha de dois meses.
Segundo dados da Embaixada portuguesa no Brasil, a familiaridade com a língua portuguesa é um dos principais atrativos para os brasileiros. Dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal apontam um crescimento da população brasileira residente naquele país de 7,17% entre os anos de 2002 e 2003. A última estatística oficial do órgão é de 2003, quando 26.561 brasileiros residiam legalmente em Portugal. Já no Japão existem cerca de 275 mil brasileiros, a maioria de origem japonesa, segundo número do Ministério da Justiça japonês (dezembro de 2003).

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