A chefe do Conselho Tutelar da regional do Pinheirinho, Jussara da Silva Gouvêia, revela que apenas em uma creche da área, a fila de espera tem 600 crianças. Outra unidade tem uma demanda reprimida de 208 vagas. ''Onde estão essas crianças, porque as mães precisam trabalhar. Provavelmente com mães-crecheiras ou em casa sendo cuidadas pelo irmão mais velho, muitas vezes, uma criança também'', pontua ela.
Jussara lembra que na época da gestão de Roberto Requião (como prefeito de Curitiba) houve uma tentativa de capacitá-las, mas o município se deparou com denúncias de maus-tratos. ''Funcionavam como depósitos de crianças. Eu já era conselheira e lembro que encontramos até alimentos vencidos sendo servidos para as crianças. Teve situação de mães abandonarem seus filhos com mães-crecheiras'', conta ela, dizendo que a Associação dos Conselhos Tutelares discute a questão, há um mês, e que é inviável fiscalizarem a atividade sozinhos, até porque para denunciar, eles precisam encaminhar as crianças para creches. Mas não existem vagas.
''A creche domiciliar é inviável, porque não tem cunho educativo, aspecto primordial para acolher crianças nessa faixa etária. É uma situação de risco. Há algum tempo, achavam que era impossível oferecer vagas para todos no Ensino Fundamental. Hoje até sobram vagas. Sonho que um dia também vamos conseguir acolher todo mundo na Educação Infantil. Falta ainda é política pública'', acredita ela. (F.G.)

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