''Um festão com tudo o que se tem direito''. É assim que a cozinheira Marlene Maria Cruz, 45 anos, define sua comemoração de Natal. Mas o ''festão'' tem uma peculiaridade é um almoço servido em sua casa para idosos do asilo São Vicente de Paulo, em Londrina.
Com um pequeno detalhe: Marlene não tem parentes no asilo. E não é rica o marido é jardineiro, ela faz salgados para vender e moram em um local simples. Muitas vezes, conta, eles passam ''o resto do ano pagando o almoço''. Hoje ela tem amigos que tem feito ao longo dos últimos anos em que oferece a festa. Mas, como a cada ano o número de participantes aumenta, muitas vezes é com desconhecidos que ela comemora a data.
Servido há cinco anos, o almoço está virando tradição. Todo dia 24, enquanto outras famílias já começam a comemorar o Natal, Marlene vai para a cozinha, com a ajuda de voluntários, preparar o ''banquete''. No ano passado, ela serviu peru, chester, frango, ''um leitão de 80 quilos'' e até camarão na moranga para 30 idosos e 20 voluntários. Também não faltaram paneladas de arroz e farofa, além de saladas, castanhas e frutas. Cadeiras e mesas são espalhadas pela casa e quintal para acomodar todos. ''É aquela agitação, parece uma creche. É uma delícia, eles contam histórias, conversam, desabafam''.
É com simplicidade que ela explica o porquê da festa: ''Se a gente passou o ano bem, não faltou nada, conseguiu pagar todas as contas; se a gente levanta todo dia de manhã e está bem, está inteiro, então tem mais é que agradecer à Deus e dividir isso com os outros'', afirma, mostrando a filha de seis anos, ''uma benção para quem nunca pode ter filhos e teve uma próximo dos 40''.
A idéia de compartilhar a festa com os ''vôzinhos'' do asilo e dar a eles um Natal ''em família'' surgiu depois da morte da mãe. ''Há nove anos perdi minha mãe e fiquei muito triste. Mas pensei: 'vou fazer o quê? passar o Natal sozinha? Eu já ajudava crianças, mas elas ainda tem a vida inteira pela frente e os 'vôzinhos' não. Aí resolvi dar um Natal melhor para eles'', conta.
Não são todas as pessoas que entendem o gesto de Marlene, até porque na última semana o marido perdeu o emprego, e mesmo assim mantiveram a festa. ''As pessoas ficam admiradas e perguntam: 'Porquê você faz isso?', 'Está pensando que vai para o céu?'. Mas enquanto estiver viva e puder, vou fazer esse almoço''. (C.P.)

mockup