'Cozinhando' projetos e soluções
Quituteira de mão cheia, a professora Maria Santa Barizon Pieroti recebe as visitas já na porta da cozinha. Oferece um café que ali nas redondezas do Patrimônio São Luiz ainda é o ouro verde do início dos tempos de Londrina e se põe logo a conversar. Pode ser com a repórter do centro da cidade ou mesmo com a vizinha. Assunto é o que não falta.
Não é de hoje que Maria Santa é considerada uma referência para a comunidade onde vive, formada por cerca de 30 famílias. Entre um gole e outro, acompanhado por um bolo de café, seu carro-chefe na cozinha, problemas vão encontrando soluções e muitas melhorias vão tomando corpo. ''Meus filhos brincam que até conselhos amorosos eu dou. Tem gente que vem contar que os pais não estão permitindo o namoro e me pedem ajuda'', diz.
Professora aposentada da rede municipal, ensinou muitas crianças e até adultos a ler e escrever. E foi o caminho da escola que se transformou em sua maior conquista. ''Meu marido levava as crianças na camionete, então fui de casa em casa pedindo que todos se matriculassem e acabamos conseguindo o transporte escolar, que hoje passa por aqui (cerca de 10 quilômetros do Patrimônio São Luiz) três vezes por dia, sorri Maria Santa.
Presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural, ela conta que ''acaba se envolvendo sem querer''. E como um vício dos bons, conta que não consegue mais viver sem isso. ''Eu já me aposentei, não tenho problemas na família e poderia ficar tranquila aqui em casa'', explica Maria Santa, que é claro, não consegue.
O próximo passo é transformar a região em um ponto estratégico de turismo rural. ''A longo prazo podemos levar a idéia do pesque-pague para os pomares e as pessoas vão pagar pelo que colherem'', planeja. A inspiração vem dos cursos que participa e traz para a comunidade, como o do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). ''A gente vai vendo o que pode fazer e olha que tem muito coisa para fazer'', explica.
''Estou sempre disposta e, depois de superar um problema de saúde em 2001, descobri que nas horas difíceis é que se conhece os verdadeiros amigos. Tinha sempre gente na minha casa'', conta. E quando se é ponto de referência, é assim mesmo.





