Quando menos se espera, a rachadura, o estrondo, a enchente. O estrago está feito. Nos últimos meses, três casos de danos em estrutura de edificações abalaram o cotidiano de centenas de curitibanos: o desabamento de parte de uma sacada no edifício comercial e residencial Champagnat Tower, no Bigorrilho; o incêndio da Igreja Senhor Bom Jesus, no Portão; e um acidente de trânsito que abalou a estrutura de um prédio na esquina das ruas Barão do Cerro Azul e 13 de Maio, na região central.
  Segundo Hermes Peyerl, coordenador da Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosedi) da Prefeitura de Curitiba, o órgão emite aproximadamente cinco notificações por dia para tomada de providências relativas a problemas estruturais em edificações. ‘‘Nós atendemos todas as solicitações que apontam possibilidade de desabamento, instabilidade, problemas de solo e outras situações de risco’’, afirma Peyerl.
  O coordenador explica que a região onde são registrados mais alertas é a área entre o Centro e o Portão, mas apenas porque é o setor mais populoso e com mais edificações de Curitiba. ‘‘Proporcionalmente, as solicitações são bem distribuídas por toda a cidade’’, diz Peyerl.
  Ele afirma que os danos são causados por diversas razões: quedas de muros e de árvores devido a ventos e chuvas, tubulação inadequada para extravasamento de água, escavações irregulares, falhas nos projetos e na execução de obras, falta de manutenção de edificações antigas, construção em lugar impróprio.
  O tenente Ivan Ricardo Fernandes, subchefe da Coordenação Operacional da Defesa Civil em Curitiba, destaca que os estragos estruturais em residências são mais comuns na periferia. ‘‘Muitas residências são próximas de rios, construídas em local inadequado. As áreas vão sendo ocupadas por pessoas que não sabem que com a chuva o nível do curso d’água vai subir e causar enchentes’’.
  Peyerl explica que as notificações emitidas pela Cosedi trazem recomendações para solução do problema. ‘‘Notificamos para que o responsável contrate um profissional, para vistoria e tomada de providências num determinado prazo. Algumas medidas são urgentes, têm que ser adotadas de imediato’’, aponta o coordenador.
  Peyerl esclarece, entretanto, que o trabalho da Cosedi não se restringe a ações depois que o problema é constatado. ‘‘A Cosedi não tem estrutura para vistoriar as condições de todas as edificações de Curitiba. Muitos síndicos deixam de fazer essa verificação, não tanto por desleixo, mas porque não têm acesso a informação. Dessa forma, a Cosedi desenvolve um trabalho educativo, através de meios de comunicação dirigidos, distribuição de folders, palestras, seminários e orientação no site da prefeitura. O ideal é que as pessoas que assumem a administração de condomínios saibam como verificar a situação estrutural das edificações’’.
  No início do ano, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) realizou em Curitiba uma palestra com cerca de 400 síndicos. ‘‘Nós conversamos sobre qual é a função deles, a necessidade de contratação de mão-de-obra especializada e de manutenção constante. Em Curitiba, há muitas edificações antigas, e a falta de manutenção gera problemas na parte elétrica, nos quadros de distribuição, entre outros. A vistoria tem que ser mais constante, no mínimo, anual’’, aponta Mário Guelbert Filho, gerente regional do Crea em Curitiba.
  Em situações de danos, segundo Guelbert, o Crea prepara relatórios e submete as constatações a câmaras especializadas. Nos processos envolvendo grandes danos e vítimas, o conselho se manifesta a partir de solicitação do Ministério Público. O gerente afirma que na região o índice de problemas estruturais associados a falhas no planejamento e execução de obras é baixo.
  Guelbert destaca que a maior ameaça é mesmo a falta de manutenção. Além das palestras, o Crea promove, juntamente com outras entidades, fiscalizações integradas preventivas em obras onde há grande tráfego de pedestres, como shopping centers, escolas e estádios de futebol. ‘‘Quase todas têm alguma coisa merecendo um cuidado especial, como uma pequena reforma ou melhoras na sinalização de saídas de emergência, por exemplo’’, diz o gerente.

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