Corte etário ainda gera insegurança em pais
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sábado, 28 de janeiro de 2017
Juliana Leite<br>Especial para a Folha 

Ter filhos é ter a certeza de fazer escolhas a todo momento. Seja no tipo de parto, alimentação ou na educação que se pretende dar, os pais se veem rodeados de medos e preocupações com o futuro dos pequenos. Para aqueles que têm crianças de até 6 anos, a dúvida é com relação ao corte etário e preparação dos pequenos para o primeiro ano do Ensino Fundamental. É quando chega a hora de optar por deixar a criança seguir os estudos conforme a idade cronológica e de entrada nas creches e berçários ou então segurar o filho para que aproveite mais um ano na Educação Infantil e, assim, trabalhar suas habilidades e desenvolvimento psicoemocional.
As crianças, mesmo que pequenas, já dão sinais de bastante desenvolvimento. Comunicativas, interessadas e atualizadas em tecnologia, elas surpreendem a família com comentários e atitudes que se assemelham de meninos e meninas mais velhos. Os pais, então, tendem a acreditar que seus filhos precisam ser constantemente estimulados, mas também é preciso saber valorizar a infância e o brincar.
Então, como saber o que é importante na escola e como avaliar quais pontos positivos e negativos a mudança pode acarretar?
Segundo a psicóloga e pedagoga Patrícia Brinholi, de Londrina, a principal preocupação dos pais é em relação ao conteúdo, mas é preciso avaliar a maturidade da criança e o desenvolvimento cognitivo. "Esse amadurecimento cognitivo a torna apta a acompanhar os conteúdos mais elaborados. É importante que a criança tenha uma maturidade similar à dos colegas", aponta.
Outro critério é conversar com a escola para orientar na decisão. "Como ela conhece o aluno e os conteúdos que serão ensinados, pode ajudar os pais nesse momento. É importante lembrarmos que conforme os anos avançam vai diminuindo o espaço do brincar na escola e esses momentos são importantes para a construção do pensamento e até da personalidade da criança. Acredito que não reter o aluno quando necessário pode influenciar o resto da vida escolar dele", alerta Patrícia.
Para a especialista, os pais também devem levar em consideração a autoestima dos filhos, avaliando se ficar sem a companhia dos colegas escolares será muito prejudicial. Entretanto, o primeiro fator ainda deve ser o amadurecimento, ou seja, se a criança não é apta para a próxima série deve ser retida, porém ter um acompanhamento para superar a separação.
A pedagoga e psicopedagoga Higínia Fabiana de Oliveira Nóbrega, também de Londrina, lembra que a escolha da mudança ainda é livre para os pais da rede particular. "A gente lembra que as crianças não deixarão de brincar e que elas têm até o terceiro ano do fundamental para serem alfabetizadas. Não é mais como antigamente, que a alfabetização tinha que ocorrer até o segundo ano. Então, a criança vai fazer essa transição de forma gradual, brincando, conforme as habilidades e estímulos que já vinha recebendo, para garantir seu preparo", afirmou a especialista, que é diretora do colégio Ética. (Colaborou Érika Gonçalves/Reportagem Local)


