Corte de benefício prejudica ex-interno
Curitiba- No auge do Leprosário São Roque, o lugar chegou a abrigar até 1,2 mil internos, segundo Sebastião Carlos Pamplona, também membro do Morhan. Ele, que trabalhou como enfermeiro do hospital até 2002, acompanhou de perto uma medida do Estado para diminuir o número de pessoas lá dentro, na década de 1950: ofereceu uma ajuda de custo, apelidada de ''Pensão do Estado'' para estimular as pessoas, que tinham condições e ainda referência familiar, a saírem do São Roque.
''E com essa pensão muitas pessoas saíram. Já em 1980, o benefício passou para uma um salário mínimo. Mas em 2005, o governo estadual resolveu cortar essa pensão de pessoas que recebia outro benefício'', conta Pamplona. ''Agora você imagina que são pessoas que recebiam essa ajuda há 20, 30 anos, e sem aviso o governo corta. Isso gerou um caos. Tem muita gente passando dificuldade e até fome'' continua ele. ''Hoje a maioria já são idosos e quando eles falecerem, o Estado não terá que continuar a pagar para a família'', argumenta.
De acordo com Pamplona, cerca de 3 mil ex-internos do São Roque ainda recebiam o benefício. ''Estou sugerindo que as pessoas que foram prejudicadas e passam necessidade voltem ao hospital, inclusive, através de medida judicial. O Estado tem essa dívida com essas pessoas, que, há muito tempo, perderam sua cidadania'', defende Pamplona. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Administração informou que a maior parte das pensões para os portadores de hanseníase foram canceladas são de pessoas que já estavam recebendo aposentadoria ou qualquer outro auxílio do INSS.
De acordo com a assessoria, o artigo sexto da lei 8.246/1986 relaciona quatro razões para o cancelamento do pagamento do auxílio financeiro, e entre eles estão os casos em que o beneficiário for amparado pela Previdência Social. Ainda havia casos de pessoas que não moravam mais no Paraná, o que não é permitido pela lei, e também de pessoas que estavam recebendo no lugar de pensionistas que já tinham morrido. Das 3,2 mil pensões antes do recadastramento realizado em 2004 , metade foi cortada e segundo o órgão, os pensionistas foram avisados com dois meses de antecedência.(F.G.)
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