CORTE BRASILEIRA - A família de sangue azul
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de dezembro de 2007
Bruna Fioreti<br>Agência Estado 
São Paulo - Foi-se o Império, proclamou-se a República, sucederam-se presidentes e o Brasil ainda é terra de príncipes e princesas. Eles não têm direitos políticos no atual regime, mas em alguns locais ainda são tratados com reverência. No Rio de Janeiro, onde está a maior concentração de descendentes de Dom João VI e Carlota Joaquina, aparecem no noticiário e chegam a ser reconhecidos nas ruas. Em São Paulo, porém, esses nobres vivem como anônimos. Talvez justamente por isso gostem tanto de morar aqui: quase todos os membros da dinastia Orleans e Bragança que escolheram a capital paulista como moradia preferem não ostentar os bens que possuem nem a nobreza de seu sobrenome.
Se no Rio a família real ainda conta com uma estrutura de palacetes construídos nos tempos do Império, o modo de vida paulistano do principado brasileiro é digno de plebeu, mas não é pobre. Às vésperas de se reunir para comemorar os 200 anos da vinda da corte para o Brasil (que ocorreu em 1808), os herdeiros procuram manter a privacidade. Mas começam a ler as publicações lançadas a respeito e a se preparar para o assédio da imprensa.
''Nossa vida tem sido bem normal'', conta a princesa Ana Luísa de Orleans e Bragança Mansour, 36 anos. Como a maior parte dos herdeiros de sua geração, ela nasceu no Rio de Janeiro, mas criada em São Paulo. Desde então, ''não troca a cidade por nenhum outro lugar''. Casada e mãe de dois filhos, ela mora em uma casa no Morumbi. Nada anormal não fosse a educação recebida por ela e o irmão, Dom Luiz Filipe de Orleans e Bragança, 38 anos, empresário que também vive em São Paulo.
Outra descendente da princesa Isabel, a universitária e princesa Paola Maria de Bourbon Orleans e Bragança Sapieha, 24 anos, considera que a maior herança da família é a educação. ''Cresci ouvindo muitas histórias de bastidores da corte e indo aos eventos cívicos. Por isso, aprendi a respeitar esses símbolos e a gostar deles.'' Há três anos, Paola deixou o luxo do Palácio do Grão Pará, em Petrópolis (RJ), onde morava com a família, para morar sozinha em um apartamento em São Paulo e seguir a carreira de modelo. Disposta a lançar uma coleção de jóias na ocasião da comemoração da vinda de seus antepassados, ela é uma das poucas princesas dispostas a aparecer na mídia.
Já a advogada Maria Pia de Orleans e Bragança Mendes, 31 anos, também carioca, prefere o estilo de vida low profile. A princesa se mudou para São Paulo porque se casou com um paulista há 6 anos e, há um ano, é vizinha da irmã, Maria Carolina, 29 anos. Mesmo assim, às vezes enfrenta situações em que o sobrenome se antecipa às apresentações.
Os herdeiros de Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança e da Princesa D. Maria da Baviera se firmaram em São Paulo há bem mais tempo. Dom Luiz, 69 anos, e Dom Bertrand Orleans e Bragança, 67, bisnetos da princesa Isabel e trinetos de Dom Pedro II, chegaram a morar fora do Brasil, mas estão na capital paulista há décadas.
Em 1993, Dom Luiz fez fama ao defender a monarquia no plebiscito que permitia decidir entre presidencialismo, parlamentarismo e a volta da realeza. Apesar de dizer que a ''vida cotidiana dos príncipes não se diferencia na aparência da vida dos brasileiros em geral'', ressalva que ''ela deve estar muito profundamente marcada pela cogitação dos grandes temas que afetam o Brasil''.


