Corrida do café atrai colonos de vários Estados
Em novembro de 1948 existiam lavouras de café na região, porém ainda havia muita terra disponível para a formação de lavouras. Os colonos vinham, principalmente, do Estado de São Paulo, onde surgira a Cia. de Terras Norte do Paraná, maior colonizadora da região. Quando o catarinense João Milanez chegou a Londrina, em 1947, passara algum tempo em São Paulo, para tentar a sorte na construção civil, o grande negócio da época. O carpinteiro e marceneiro Milanez, nascido em Meleiro, cidadezinha do Litoral de Santa Catarina, já ouvira falar desta cidade, do novo Eldorado que surgia no País, e veio para cá.
Arquivo FolhaCultura do café: impulso à prosperidade do NorteNão havia asfalto nem calçamento. De longe via-se a poeira cobrindo a cidade. Grande parte dessa poeira era levantada por ônibus, caminhões e até automóveis movidos a gasogênio, aparelho que transformava carvão em gás, para substituir a gasolina racionada. O gasogênio parecia uma chaminé, acoplada atrás ou no lado esquerdo da carroceria dos veículos.
Combustível era um dos produtos racionados no tempo da Segunda Guerra Mundial, que terminara há apenas dois anos e deixara sequelas no abastecimento de vários produtos. Assim como a gasolina, também estavam racionados o querosene e demais derivados de petróleo, além de açúcar, farinha, óleo comestível, que só eram vendidos, em pequenas quantidades, a quem tinha cupons. Em Londrina, lembra Milanez, não se formavam grandes filas, porque a cidade era pequena e a distribuição bem organizada. Ele recorda que as Casas Fuganti eram uma das empresas autorizadas a vender mercadorias racionadas.
Arquivo FolhaOperários em montadora: novo ciclo econômicoO racionamento era uma questão de paciência; o abastecimento logo estaria normalizado. E a guerra, que aterrorizara o mundo e matara milhões de pessoas, parecia estar longe no tempo. O ambiente era de euforia. A cidade, movimentada: já tinha colheita de café, o trânsito era intenso, o comércio fervilhava, destacando-se a compra de terras, de automóveis. A cidade já possuía agências bancárias. Ainda era uma região de puro negócio; não era de produção, recorda Milanez. A grande safra estava para ser colhida em breve - em 1953.
A maioria dos pioneiros vinha das colônias de São Paulo: 55% dos compradores da Cia. de Terras eram ex-colonos naquele Estado. Vieram atraídos pela corrida do café (naquele tempo os colonos ganhavam dinheiro que lhes dava condições de comprar terras em lugares novos como o Norte do Paraná, e formar suas próprias lavouras). Eles foram atraídos também pela qualidade das terras.
Arquivo FolhaMilanez: atraído pelo Eldorado, funda o jornal em 1948Milanez recorda de alguns produtores que já estavam no Norte do Paraná quando ele chegou: Hugo Cabral, prefeito, tinha uma belíssima fazenda no município de Londrina; Geremias Lunardelli, que seria o Rei do Café; Remo Massi, Teodoro Victorelli (pai de Hermínio Victorelli); Luís Meneghel, fundador da Usiban, que também está comemorando 50 anos. Luís Meneghel foi também presidente da Câmara de Vereadores e prefeito de Bandeirantes; Mariussi, de Cornélio Procópio; os Baggio, família que no século passado já cultivava café no Estado de São Paulo e se estabelecera no Norte do Paraná, primeiro em Santa Mariana, depois em Cornélio Procópio.
Em síntese - lembra João Milanez - o Norte do Paraná era o grande Eldorado do Brasil. Havia uma corrida para cá. A maior atração era a terra. Inegavelmente quem fez grande divulgação foi a Cia. de Terras, a Paraná Plantation. Quando vim para cá, já era Cia. Melhoramentos. Londrina fez jus à fama, mas houve uma grande divulgação. As terras eram anunciadas no Estadão e em outros jornais de São Paulo.
Em termos nacionais, a Folha nasceu quando o tema dominante era a construção civil. A construção civil foi a grande arrancada do Brasil, na época, quando o País tinha apenas 45 milhões de habitantes, afirma Milanez.Arquivo FolhaModernizaçãoNovo parque gráfico: maior integração regional através da Folha do Paraná
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Jota Oliveira





