Cornélio quase foi Itanguá ou Monte Castelo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Eli Araujo <br> <br> Reportagem local 
A história de Cornélio Procópio é marcada por alguns fatos curiosos, entre eles a ameaça de mudança de nome que a cidade sofreu duas vezes consecutivas na década de 1940, logo após a emancipação do município. E nas duas vezes a mudança não se efetivou porque houve resistência de parte da sociedade.
A primeira tentativa aconteceu em 1943, quando o Brasil passava por um período conturbado em função da Segunda Guerra Mundial. Na época, se pretendia dar uma identidade ''verdadeiramente'' nacional ao Brasil, com valorização dos costumes, hábitos e heróis nacionais. Um decreto-lei incentivava a adoção de novos nomes em todas as localidades do país.
O professor Roberto Bondarik, pesquisador da história do Norte Pioneiro, lembra que o nome sugerido para Cornélio Procópio foi Itanguá, de origem indígena, e que significa ''pedra redonda''.
A segunda tentativa foi relatada pelo professor Átila Silveira Brasil em um livro publicado em 1988 sobre o cinquentenário da cidade. Foi em 1946, logo após o término da guerra. A Força Expedicionária Brasileira (FEB), que contou com a presença de alguns cidadãos de Cornélio, saiu vitoriosa da Itália, onde conquistou Monte Castelo.
E para justifcar a conquista, a mudança seria exatamente para Monte Castelo, o que dividiu a população.
O decreto com o novo do nome chegou a ser assinado pelo governador Moysés Lupion que, em visita à cidade, foi surpreendido por protestos de pessoas que não queriam a mudança. Lupion voltou atrás e a cidade manteve o nome de Cornélio Procópio. A homenagem aos ''pracinhas'' acabou sendo transferida para outra localidade paranaense, na região Noroeste, que recebeu o nome de Santa Cruz do Monte Castelo.
Outro detalhe que chama a atenção é a própria origem do nome, uma homenagem ao coronel Cornélio Procópio de Araujo Carvalho, que nasceu no dia 6 de janeiro de 1857, em Minas Gerais, mas foi fazendeiro e comerciante no estado de São Paulo. Ele morreu no dia 22 de outubro de 1909, portanto, bem antes da construção da estação ferroviária que chegou ao local onde surgiria a nova localidade na década de 1.920.
O genro de Procópio, Francisco da Cunha Junqueira, comprou um lote de terras na Gleba Laranjinha e deu nome do sogro ao povoado.
A construção da estrada de ferro, aliás, gerou outra curiosidade na história de Cornélio Procópio. A ferrovia tinha o controle acionário da Paraná Plantation, de capital inglês, e um de seus acionistas era o princípe Edward, de Gales. Em 1931, ele e parte da família real inglesa, incluindo seu irmão, o duque de York, visitaram as obras da ferrovia em Cornélio.
Edward foi coroado rei, mas abdicou ao trono alguns meses depois. O duque de York assumiu o posto com o título de rei George VI e morreu durante visita ao Quênia, na África. Ele é pai de Elizabeth II, que assumiu o trono no dia 6 de fevereiro de 1952, onde permanece até hoje; portanto, há 60 anos.
A história de George VI, que era gago, foi contada recentemente no filme ''O discurso do rei''.


