Cornélio Procópio: origens históricas

Cornélio Procópio de Araújo Carvalho faleceu em 22 de outubro de 1909 sem imaginar que seu nome iria batizar um município com quase 50 mil habitantes. Uma terra que ele nunca conheceu e nunca foi proprietário. Nascido em 6 de janeiro de 1857, em Aiuruoca, Sul de Minas Gerais, foi fazendeiro e comerciante, e está sepultado no Cemitério da Consolação em São Paulo.
A história do município, começa assim: O sertão do Rio Congonhas, explorado em 1846 por Joaquim Francisco Lopes e John Henry Elliot, sertanistas do Barão de Antonina que buscavam os Campos do Paiquerê, uma rota para Mato Grosso e firmaram a "Posse do Congonhas", nome relacionado à erva-mate (congonha) existente nas nascentes. Em 1891 os herdeiros do Barão venderam parte de suas terras à Ildefonso Mendes de Sá e este em 1893, a Olegário Rodrigues de Macedo e José Marcondes de Albuquerque. Em 1900 Olegário tornou-se o único proprietário até vende-la à José Pedro da Silva Carvalho. Mesmo com tantos donos se revezando acredita-se que não houve ocupação efetiva destas terras que somente ocorreria a partir da década de 1920.
Com a chegada da ferrovia a Ourinhos-SP em 1908, surgiu o projeto de construção de uma estrada de ferro desse ponto até Assunção no Paraguai, passando por Guaíra. Em 1924 o trecho até Cambará ficou pronto, prosseguindo em 1928 com os britânicos da Paraná Plantations até as terras da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), de Londrina em diante. Em 1º de dezembro de 1930 a estação Cornélio Procópio foi entregue.
A ferrovia fez com que a valorização das terras do seu traçado pudesse ser grande. Assim Francisco da Cunha Junqueira, fazendeiro e empresário em São Paulo, adquiriu em 1923 a Fazenda Laranjinha das margens desse rio até o divisor do Congonhas. Cunha Junqueira era genro de Cornélio Procópio e projetou, em 1924, dois núcleos urbanos por onde passaria a ferrovia: Santa Mariana, em homenagem a sua esposa e Cornélio Procópio em honra ao falecido sogro. Em 1932 por seu envolvimento com a Revolução Constitucionalista, Cunha Junqueira foi exilado do Brasil e vendeu as terras para a Colonizadora Paiva & Moreira que conduziu a venda dos lotes urbanos e rurais das duas cidades.
A Fazenda Congonhas, adquirida em 1923 por Antônio Barbosa Ferraz e seus filhos da Companhia Agrícola Barbosa, de Cambará, teve sua posse contestada por herdeiros do Barão de Antonina em processo judicial que perderam. Bráulio Barbosa Ferraz era prefeito de Cambará e fez com que o Governo do Estado financiasse uma rodovia carroçável dali até Jataizinho. Concluída em 1929, a obra foi conduzida pela Prefeitura de Cambara, com pontes sobre o Cinzas e Congonhas, cruzava o Laranjinha perto de Santa Amélia, seguia pelo Igarapava até a Gleba Congonhas, nos limites de Cornélio Procópio. A ali no "Armazém Velho" da Cia Barbosa, os compradores eram levados até seus lotes. Às margens da rodovia e no centro da gleba foi erguido Congonhas, o primeiro povoado do município, onde a ferrovia chegaria em 1931.
Sem a ferrovia, o capital britânico e sem os investidores brasileiros que vislumbraram possibilidades de negócio na região com certeza iria demorar um pouco mais para que o Norte do Paraná se integrasse de forma produtiva, gerando riquezas, ao Brasil.





