Foi-se o tempo em que o principal ponto de referência de qualquer cidade era a praça central com a igreja matriz e o coreto. Curitiba também teve o seu coreto em frente à Catedral Metropolitana, na Praça Tiradentes, construído na gestão do prefeito Cândido de Abreu (1913-1916). E nesse mesmo período a cidade viu a construção de outros dois exemplares, um na Praça Osório, outro no Passeio Público. Este último sofreu adaptações e abriga hoje um aquário. Os outros dois não sobreviveram e os que existem hoje, na Praça Nossa Senhora do Carmo e no Parque Barigui, passam quase desapercebidos.
Mas em pequenos municípios da Região Metropolitana essas tradicionais edificações têm garantida sua posição de destaque nas respectivas praças. E tem até quem ainda hoje inclua a construção de coretos em projetos de revitalização, inclusive em praça que nunca teve um.
Em Tijucas do Sul, o projeto de revitalização da praça, que terá coreto e chafariz, já está aprovado e será executado com recursos do Ministério do Turismo. Segundo o secretário municipal de Administração, Reinaldo Machado, a cidade, de economia eminentemente agrícola, nunca teve um coreto e a intenção é oferecer aos moradores um espaço para confraternização e apresentações artísticas. ''Tijucas do Sul é um município de 13 mil habitantes. O povo se reúne na praça. A população é 20% urbana e 80% rural. No final de semana o passeio é sair da comunidade rural e vir até o centro, até a praça'', justifica Machado.
Cerro Azul, que teve um coreto desativado há alguns anos, também tem planos para construir um palco coberto na praça, que funcionaria como uma espécie de coreto permanente, próximo a um futuro centro de informações turísticas. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o projeto ainda não tem data para ser executado.
Já em Curitiba, a moradora do bairro Alto Boqueirão, Maria de Lourdes Afonso Gonçalves, conta que nunca viu atividade alguma sendo realizada no coreto do qual é vizinha, na Praça Nossa Senhora do Carmo. ''Estou quase todo o dia pra cá e nunca vi nenhuma pessoa aí'', afirma. O local está pichado, tem rachaduras na base e o ferro das grades apresenta sinais de corrosão.
Outro vizinho dali, Alexandre Schenfeld também lamenta o abandono. ''É uma pena. Podia ter alguma atividade, mas ninguém dá bola'', observa. Para Schenfeld, o coreto poderia ser aproveitado, por exemplo, para apresentações gratuitas de teatro infantil, mas ultimamente vem sendo ocupado apenas durante a noite. ''A piazada fica ali fumando e bebendo. Usarem para alguma coisa boa eu nunca vi'', lamenta. Outro em estado de degradação é o coreto de Rio Branco do Sul que, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, não recebe serviços de manutenção há alguns anos.
Construído ainda no início da década de 1930, o coreto de Campo Largo é um dos que resistem. Utilizado no passado para comícios e solenidades oficiais, hoje ele é mais atrativo aos turistas do que aos próprios moradores da cidade. ''Está meio esquecido. Se fosse bastante usado deveria ser melhor conservado. Mas Campo Largo cresceu muito e hoje acham o espaço pequeno. Ficou mais para eventos que não tenham tanta aglomeração de pessoas'', avalia Luiz Emanoel Kuster, responsável pelo acervo da Casa de Cultura do município. Para Kuster, ainda assim, o coreto mantém-se como um símbolo de Campo Largo. ''É um patrimônio nosso. Muita gente que chega na cidade vai tirar foto lá e na frente da igreja'', justifica.
Um pouco mais novo, o coreto de Campina Grande do Sul foi construído 1984 para abrigar a banda da cidade. ''Infelizmente na administração seguinte a banda não se formou mais'', lembra o morador Ubiratam João Hathy. Hoje o local é utilizado para cultos religiosos, feira de artesanato e comemorações natalinas. ''Eu não vejo uma praça sem um coreto. Sempre tem sua utilidade. Se não tem um evento, está sendo usado pra namorar. Não tem porque ele desaparecer, faz parte da comunidade'', defende Hathy. Também desse período, construído de 1986, o coreto de Balsa Nova é hoje utilizado para celebrações religiosas, apresentações musicais e para as comemorações cívicas feitas pelas escolas.
Em Quatro Barras, a feira de artesanato que começou dentro do coreto com três barraquinhas cresceu e hoje ocupa toda a praça, mas mantém o nome Feira do Coreto e é realizada sempre às quintas-feiras. ''Acho que gostaram porque é aconchegante, bem coisa do interior mesmo. Lembra o tempo que se ia na casa da avó e tinha o coreto no centro da cidade'', afirma a artesã e feirante Bernadete Cordeiro Schmidt. Proprietária de uma lanchonete na praça central, Roseli Pedroso Martins diz que conquistou sua freguesia quando vendia seus crepes no coreto. ''Foi onde eu comecei. Era o 'crepe do coreto''', lembra Roseli.

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